“Come Together”: Como Michael Jackson deu nova vida ao clássico dos Beatles

A música “Come Together” dos Beatles é um dos clássicos mais enigmáticos do rock, mas foi na voz de Michael Jackson que ela ganhou uma nova vida. Gravada pelo Rei do Pop e lançada no filme Moonwalker em 1988, essa versão provocou debates acalorados entre fãs e críticos.

Afinal, poderia a interpretação de Jackson superar a original?

Para entender essa questão, é preciso voltar ao contexto de ambas as versões. Escrita por John Lennon em 1969, “Come Together” foi originalmente pensada para a campanha política de Timothy Leary, mas acabou se tornando a faixa de abertura do lendário álbum Abbey Road. Com uma letra desconexa e um groove hipnótico, a canção se tornou um símbolo da rebeldia e do experimentalismo da época.

Em 1985, Michael Jackson adquiriu o catálogo dos Beatles, e com isso, passou a deter os direitos de várias músicas da banda. Como grande admirador do grupo, Michael viu em “Come Together” uma oportunidade de prestar sua homenagem e, ao mesmo tempo, imprimir sua identidade artística em um clássico do rock.

Diferente da gravação dos Beatles, que aposta em uma atmosfera psicodélica e minimalista, a versão de Michael Jackson adiciona um toque mais cru e funk. Seu vocal intenso, combinado a uma batida mais marcada e poderosa, transforma a música em uma experiência visceral. O próprio Jackson descreveu sua abordagem como “espontânea, mas com propósito”.

A performance ao vivo de “Come Together” durante a turnê HIStory reforça a diferença entre as versões. Enquanto os Beatles focavam no groove sutil e enigmático, Jackson fez da música um espetáculo energético e magnético. Seu domínio de palco, sua expressão corporal e sua entrega emocional elevam a faixa a um patamar de intensidade raramente visto.

Outro ponto que merece destaque é a relação de Michael Jackson com o ritmo. Ao contrário de Lennon, que escreveu a música com uma intenção política inicial, Jackson enxergava “Come Together” como uma oportunidade de explorar a força da melodia acima da letra. Como um dançarino que “ouvia” a música com o corpo, ele conseguiu trazer uma nova interpretação que enfatizava a batida e a sensação, mais do que o significado literal dos versos.

No fim das contas, a questão sobre qual versão é superior continua sendo uma questão de gosto pessoal. Enquanto os puristas dos Beatles consideram a gravação original intocável, muitos fãs acreditam que Michael Jackson conseguiu elevar a faixa a um novo nível de intensidade e carisma.

O que é inegável é que sua interpretação de “Come Together” continua viva na memória dos fãs, provando que, nas mãos do Rei do Pop, até um clássico dos Beatles poderia renascer de forma extraordinária.

“Come Together, baby!”

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