Em 31 de agosto de 1987, Michael Jackson lançou BAD. O sucessor de Thriller não era apenas a continuação de um fenômeno: foi o álbum em que Michael buscou maior independência criativa, escrevendo e produzindo mais canções do que nunca. Ainda assim, seria também o último trabalho em parceria com Quincy Jones, encerrando uma das colaborações mais bem-sucedidas da música pop.
A ambição por trás do disco
Michael escreveu cerca de 60 músicas e chegou a gravar 33. Mas a versão oficial de 1987 saiu no vinil e na fita cassete com apenas 10 faixas.
A canção “Leave Me Alone”, apesar de ter sido gravada nas mesmas sessões, só entrou como faixa bônus na edição em CD que era novidade na época — e só muito tempo depois, em reedições, passou a ser parte da lista oficial.
Mesmo assim, o poder do disco foi imediato: BAD se tornou o primeiro álbum da história a colocar cinco singles em #1 na Billboard Hot 100 — de I Just Can’t Stop Loving You a Dirty Diana.
Revolução visual e de linguagem
A capa e o clipe dirigido por Martin Scorsese mostraram um Michael mais duro, em couro e fivelas. Para muitos, foi um choque: a suavidade de Thriller havia ficado para trás. Mas havia método nisso.
Com BAD, Michael ajudou a popularizar mundialmente a gíria afro-americana em que “bad” significa exatamente o oposto: bom, poderoso, admirável. De repente, “bad” virou elogio — e ficou para sempre associado a ele.
O som do futuro (de 1987)
BAD foi “alta tecnologia” em seu tempo (Fairlight, Synclavier, FM synthesis), mas carrega hoje uma modernidade datada de 1987. E o próprio Michael reconheceu isso: ao longo das reedições, algumas faixas foram ajustadas ou substituídas.
- “Bad” perdeu os metais nos primeiros refrões (trocaram o mix original pelo 7″ single mix).
- “The Way You Make Me Feel” passou a vir com o remix longo do single e ad-libs finais.
- “I Just Can’t Stop Loving You” teve sua intro falada removida em prensagens posteriores (e só voltou em 2012).
- “Dirty Diana” virou o single edit (mais curto).
- “Smooth Criminal” ganhou alterações sutis de bateria e respiração logo no início.
Essas mudanças mostram que Jackson e sua equipe lapidaram o som em busca de longevidade — aparando elementos que soavam datados e consolidando versões revistas em catálogos e plataformas digitais.
O público aplaude, a crítica torce o nariz
Enquanto fãs lotavam estádios e o álbum vendia milhões, a crítica — em especial a Rolling Stone — não economizava no desdém. Não era novidade: desde Off the Wall, a revista havia se recusado a reconhecer o valor artístico de Michael. Ao chamar BAD de “pior capa” ou “pior clipe” em enquetes, a RS deixava claro mais sobre seus próprios preconceitos do que sobre a música de Jackson. O público, no entanto, tinha sua própria resposta: ingressos esgotados, hits globais e recordes de vendas.
O legado incontornável
BAD não superou Thriller em vendas, mas consolidou Michael como algo ainda maior: um artista que reinventava a si mesmo e exportava códigos culturais negros para o mundo inteiro. Do estilo ao vocabulário, o álbum transformou linguagem, estética e tecnologia em símbolos de coragem — e até hoje inspira novos artistas a ousarem.
No Reino Unido, o impacto foi ainda mais marcante: BAD estreou direto no topo em 1987, vendendo 350 mil cópias na primeira semana, um recorde absoluto. Superou o álbum HITS 6 por uma margem inédita de 10:1, manteve-se no número 1 por cinco semanas, e permaneceu 109 semanas consecutivas nas paradas. No total, acumulou 115 semanas nos charts britânicos, vendeu cerca de quatro milhões de cópias e chegou a 13 vezes platina — resultado que, no mercado inglês, fez com que BAD superasse Thriller e fosse reconhecido como um dos três álbuns mais vendidos de todos os tempos no país.
Curiosidades que nem todo mundo lembra
- Capa alternativa: Michael considerou outras ideias visuais para a capa de BAD, incluindo versões mais coloridas e até uma estética próxima de Victory. No fim, o couro e o preto-e-branco venceram.
- Scorsese e Wesley Snipes: o clipe de Bad não só teve Martin Scorsese na direção como também revelou um jovem Wesley Snipes, antes da fama em Blade.
- Turnê histórica: a Bad World Tour foi a primeira turnê solo mundial de Michael e arrecadou mais de 125 milhões de dólares, estabelecendo recordes de público.
- Estreia em formatos: o álbum foi um dos primeiros blockbusters globais a sair em CD simultaneamente ao vinil, aproveitando a virada tecnológica.
- MJ compositor: das dez faixas originais, nove foram escritas ou coescritas por Michael — um contraste com Thriller, onde ele tinha menos participação autoral.
Alerta de Raridade: Leave Me Alone no Brasil

- Leave Me Alone foi lançado como oitavo e último single de Bad em fevereiro de 1989, mas nunca nos EUA ou Canadá.
- No Brasil, ganhou um lançamento fora da curva: um 12″ promocional ligado ao filme Moonwalker, com catálogo nº 64.003 da Epic Records. Hoje, é considerado item raro de colecionador.
- Esse single brasileiro trazia uma tracklist nada convencional: “Leave Me Alone”, “Don’t Stop ’Til You Get Enough” e “Human Nature”. Uma combinação que mostra como a gravadora explorava o catálogo para promover Michael de forma única por aqui.
- Nos charts internacionais, Leave Me Alone surpreendeu: chegou ao #1 na Irlanda, #2 no Reino Unido e entrou no top 10 em países como Espanha, Bélgica, Países Baixos e Nova Zelândia.




