por Sarah Frens
Nas redes sociais, sempre que alguém tenta discutir Michael Jackson, os mesmos ataques aparecem: “você defende um pedófilo, sua opinião não importa”. Essa frase repetida como escudo não passa de um atalho para fugir do debate, mas não é argumento — e muito menos verdade. A verdade não funciona assim: conversas reais exigem escuta, evidências e disposição para entender os fatos. O contrário disso é ignorância travestida de opinião, e é exatamente isso que se repete há décadas em torno do nome de Michael Jackson.
Falo como alguém que não nasceu fã. Até pouco mais de um ano atrás, eu sabia muito pouco sobre ele além das músicas mais famosas e dos rumores que circulavam desde os anos 90. Como a maioria, eu só conhecia as manchetes — e, por elas, acreditava que as acusações fossem verdadeiras. Não era um crítico feroz, mas carregava um viés silencioso. Era o que o noticiário havia plantado: uma imagem de suspeita constante. Eu aceitava essa narrativa sem questionar, porque parecia óbvia — se todo mundo dizia, deveria ser verdade.
Foi então que decidi investigar por conta própria. Mergulhei em documentos oficiais: transcrições de tribunais, depoimentos, entrevistas, arquivos do FBI e relatos de pessoas próximas a ele. Quanto mais lia, mais ficava chocado. Nenhuma daquelas histórias repetidas pela mídia resistia aos fatos. Percebi que a versão que nos entregaram não era apenas exagerada — era falsa. Havia um esforço claro em amplificar mentiras e silenciar provas de inocência. A cada detalhe, o retrato se tornava mais nítido: Michael Jackson foi alvo constante de perseguição e tentativas de destruição de reputação.
O que mais me impressionou foi a seletividade da cobertura. Evidências em favor de sua inocência foram ignoradas, enquanto rumores frágeis ganhavam manchetes mundiais. A injustiça era evidente, mas poucos tinham coragem de olhar além do espetáculo midiático. Foi nesse processo que aprendi a respeitá-lo não apenas como artista, mas como ser humano. Compreendi a resiliência de alguém que, mesmo cercado por ataques, continuava criando música, dançando e impactando vidas. A arte me conquistou depois da verdade.
Por isso, quando alguém tenta encerrar o assunto com insultos como “defensor de pedófilo”, não vejo apenas ignorância, mas também medo. Medo de encarar que as acusações não resistem a provas. Quem realmente estudou o caso não precisa de ofensas: apresenta fatos. Se alguém não suporta que outros tenham buscado informação além do que a mídia ofereceu, o problema não é nosso, é de quem prefere repetir slogans a olhar documentos. Mentiras não se tornam verdades só porque foram ditas mil vezes.

Defender Michael Jackson não é passar pano para monstros inexistentes. É reconhecer que a verdade importa e que pessoas inocentes também merecem justiça. É um compromisso com os fatos, não com ilusões vendidas por tabloides sedentos de audiência. No fim das contas, isso não se trata apenas de ser fã. Trata-se de lutar contra a desinformação. Michael Jackson merece ser lembrado com justiça, a história merece honestidade, e as verdadeiras vítimas de abuso merecem respeito. Colocar um inocente no banco dos réus não ajuda ninguém.
A ignorância nunca foi um argumento sólido. Quem tem humildade busca entender, quem tem medo se esconde atrás de insultos. A única forma de superar o caos é confrontando mentiras com verdade documentada. Só assim a memória de Michael Jackson, e a dignidade da verdade, podem prevalecer.




