Frank DiLeo e a primeira defesa pública de Michael Jackson em 1984 | MJ Beats
28 de março de 1985: Michael Jackson chega ao Museu de Cera Madame Tussauds, na Baker Street, para a inauguração de sua estátua de cera, acompanhado de seu empresário Frank DiLeo à esquerda.

Frank DiLeo e a primeira defesa pública de Michael Jackson em 1984

Em 05 setembro de 1984, no auge do sucesso mundial, Michael Jackson tomou uma decisão rara: rebater publicamente os boatos que cercavam sua vida. A declaração, lida à imprensa por seu novo empresário Frank DiLeo, foi um dos primeiros movimentos claros de defesa de imagem em sua carreira adulta.

O cenário de 1984

Michael vinha de dois anos insanos. Thriller quebrava recordes atrás de recordes, o acidente no comercial da Pepsi havia colocado sua saúde no centro das atenções e a Victory Tour, marcada por estádios lotados e polêmica de ingressos, exigia uma estrutura de guerra. Foi nesse contexto que DiLeo, ex-executivo da Epic responsável pela estratégia de singles de Thriller, assumiu o comando de sua carreira em março. Sua missão era simples no papel, mas complexa na prática: blindar o maior astro do planeta.

O comunicado de 05 de setembro

Foi em 05 de setembro de 1984, que Frank DiLeo leu à imprensa um texto preparado por Michael Jackson. O comunicado foi a primeira tentativa oficial de pôr fim a uma enxurrada de rumores sobre sua aparência e vida pessoal. O conteúdo integral dizia:

“Há algum tempo venho refletindo em minha consciência se deveria ou não reagir publicamente às muitas falsidades que têm sido espalhadas sobre mim.

Decidi fazer esta declaração por conta da injustiça dessas acusações e do trauma profundo que elas têm causado àqueles que me são próximos.

Sinto-me muito afortunado por ter sido abençoado com reconhecimento pelos meus esforços. Esse reconhecimento também traz consigo uma responsabilidade para com os admiradores em todo o mundo. Os artistas devem sempre servir de exemplo e ser modelos para os jovens.

Entristece-me que muitos possam realmente acreditar na atual enxurrada de falsas acusações. A este respeito quero POR FIM dizer:
– Não, eu nunca tomei hormônios para manter minha voz aguda!
– Não, eu nunca alterei minhas maçãs do rosto de forma alguma!
– Não, eu nunca fiz cirurgia estética nos meus olhos!

Sim, um dia no futuro pretendo me casar e ter uma família. Qualquer declaração em contrário é simplesmente falsa.

Avisei meus advogados sobre minha disposição de iniciar ações legais e, posteriormente, processar todos os culpados na máxima extensão da lei.

Como disse antes, eu amo crianças. Todos sabemos que elas são muito impressionáveis e, portanto, vulneráveis a esse tipo de história. Tenho certeza de que algumas já foram machucadas por essa calúnia terrível. Além da admiração delas, quero preservar também o respeito.”

Com frases diretas e até mesmo inflamadas, Michael tentou encerrar de vez as especulações que rondavam sua imagem. A escolha de publicar a nota por intermédio de seu empresário sinalizava um novo protocolo: a partir dali, as respostas viriam via representantes, e não mais em entrevistas espontâneas.

O impacto – e as consequências

O comunicado não apagou os boatos, mas mudou o tom da relação de Michael com a mídia. DiLeo transformou a comunicação em protocolo: porta-voz oficial, poucas entrevistas, muito foco em grandes eventos e contratos milionários. Essa postura preservou sua imagem como ídolo inatingível, mas também criou uma distância maior entre artista e público. Vale lembrar que a imprensa dos anos 80 vivia um apetite insaciável por fofocas, e Michael era a presa perfeita. Seu comunicado soou como um balde d’água em um incêndio que já tinha combustível de sobra.