Poucas histórias da música revelam de forma tão inesperada a intersecção de dois mundos aparentemente distantes: o universo irreverente de Chacrinha, o Velho Guerreiro, e a trajetória impecável de Michael Jackson, o Rei do Pop. Um elo improvável que nasceu de um gesto simples: a entrega de um chapéu.
Na década de 1970, Michael Jackson ainda dava seus primeiros passos rumo ao estrelato solo, enquanto no Brasil Chacrinha era mais do que um apresentador: era uma instituição. Seu programa reunia humor, música, improviso e caos televisivo. Jogava bacalhau e melancias para a plateia, usava fantasias extravagantes e reinava como a figura mais popular da TV nacional.
Foi durante essa época que Weldon Arthur McDougal III, promotor da Motown, conheceu Chacrinha. Ao assistir de perto o espetáculo brasileiro, McDougal ficou impressionado com a ousadia do apresentador. Ao final, Chacrinha lhe entregou seu chapéu, com uma missão peculiar: “Da próxima vez que você ver Michael Jackson, diga-lhe que eu disse oi e entregue a ele esse chapéu”.
O pedido soava quase como uma anedota, mas McDougal levou a sério. Anos depois, em Nova York, Michael visitou a casa do executivo. Entre conversas e memórias musicais, seus olhos se fixaram no chapéu curioso que repousava sobre a prateleira. Intrigado, perguntou de onde vinha aquele adereço.
Foi então que McDougal contou a história do apresentador brasileiro, comparado a um palhaço pela maneira como se vestia, mas celebrado como o maior showman de sua época. Michael experimentou o chapéu, riu, e McDougal registrou aquele momento em fotografias que capturaram não apenas o objeto, mas a ponte entre dois ícones de mundos diferentes.

Para Michael, aquele chapéu era apenas uma curiosidade. Para o Brasil, era um símbolo de como a cultura nacional, com sua irreverência e improviso, conseguiu deixar uma marca no caminho do maior artista pop de todos os tempos. Chacrinha, sem jamais imaginar, esteve presente por alguns instantes na vida privada do Rei do Pop.




