Durante as sessões do álbum Dangerous (1990–1991), Michael Jackson gravou muito mais do que o público jamais ouviu. Um documento interno revela um inventário mestre de 15 músicas inéditas distribuídas em 16 fitas, sendo que ao menos 12 delas estavam totalmente finalizadas. Não eram ideias soltas ou testes de estúdio. Eram gravações completas, prontas para lançamento.
A imagem analisada detalha esse material com precisão. Canções como “Don’t Believe It”, “Seven Digits” e “Pressure” aparecem marcadas como complete, algumas acompanhadas de trechos extras do processo criativo, com mais de um minuto adicional registrado em fita. Isso mostra que Michael não apenas concluía suas músicas, mas também documentava cada etapa do desenvolvimento.
Outras faixas chamam atenção pelo número de versões. “Can’t Come Back” teve quatro versões completas, enquanto “Work That Body” aparece com duas versões finalizadas. Esse volume indica um artista testando caminhos, ajustando arranjos e escolhendo com rigor o que representaria seu trabalho final, um padrão já conhecido em sua carreira.
As colaborações reforçam o nível profissional dessas gravações. “Truth on Youth” é descrita como um dueto de rap com LL Cool J, enquanto músicas como “All the Truth You Need”, “Call It Off” e “To Satisfy You” envolvem o produtor Bryan Loren ao lado de Michael, com Jackson assumindo os vocais de coro.
Mesmo as faixas incompletas têm peso histórico. “Man in Black” consta como chorus only, e “A Pretty Face Is” traz apenas o coro de Michael Jackson. Ainda assim, o documento comprova que havia estrutura, direção e identidade musical, não simples anotações descartáveis.

O ponto central é claro: essas gravações somam material suficiente para formar um álbum totalmente novo. Doze músicas completas, múltiplas versões, colaborações definidas e fitas-mestre de estúdio mostram que o que chegou ao público foi apenas uma parte do que foi criado naquele período.
Hoje, é provável que essas relíquias estejam guardadas nos cofres do espólio de Michael Jackson, longe do público e do mercado. Se um dia iremos ouvi-las? Essa resposta ninguém tem. Só o tempo, talvez muito tempo é quem sabe. Enquanto isso, ouça essa obra-prima:




