One Night Only: O registro inédito de um show de Michael Jackson que o mundo nunca viu | MJ Beats
Montagem / Cartaz HBO Especial 1995

One Night Only: O registro inédito de um show de Michael Jackson que o mundo nunca viu

8 de dezembro de 1995. Michael Jackson estava internado havia dois dias, depois de desmaiar no palco durante os preparativos para o especial One Night Only. Enquanto o mundo tentava entender o que havia acontecido, no Beacon Theatre, em Nova York, as luzes permaneciam acesas. Era estranho ver o teatro vivo sem o artista que lhe dava sentido, mas a engrenagem não podia parar.

A HBO e a produção ainda acreditavam que Michael poderia se recuperar a tempo para o dia 10. Essa esperança, mesmo frágil, sustentava todos os movimentos da equipe. Havia contratos assinados, expectativas globais e um espetáculo que prometia marcar época. Por isso, mesmo sem o protagonista, a ordem era clara: continuar.

Foi nesse intervalo, tenso e silencioso, que nasceu o registro raro compartilhado por LaVelle Smith Jr., coreógrafo e colaborador histórico de MJ. Ali vemos a equipe mapeando câmeras, luzes e marcações de palco sem o Rei do Pop. Uma visão quase surreal: o palco pronto, a banda afinada, os dançarinos posicionados mas sem Michael no centro daquela constelação.

Para manter a estrutura viva, grandes nomes assumiram funções temporárias. Bruno “Pop N Taco” Falcon, lenda do popping e parceiro de Michael por décadas, ocupou seu lugar em “Thriller”. No medley de “Jam / Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)” e “Dangerous”, o próprio LaVelle guiou o elenco. O rap de “Jam” ficou a cargo de Kevin Dorsey, enquanto Jennifer Batten e David Williams seguravam a guitarra com a precisão habitual. Era uma equipe de elite, treinada para agir sob pressão e aquela semana exigiu o máximo de todos.

Nos bastidores, circulava uma informação conhecida por quem trabalhou com ele: as fitas dos ensaios com Michael foram guardadas pelo próprio Rei do Pop, algo comum em sua rotina. Ele usava esse material para estudar seus movimentos, aperfeiçoar transições e proteger sua imagem. Por isso, o que restou ao público são fragmentos como este, janelas para um espetáculo que nunca se concretizou.

E segundo LaVelle, aqueles dias foram ainda mais intensos do que parecem hoje. Havia novas coreografias sendo ajustadas, números revisitados e prazos que encolhiam a cada hora. A única parte que voltou à versão original foi “Dangerous”; não por falta de qualidade, mas por falta de tempo. O que mantinha tudo de pé era o entendimento mútuo da equipe sobre o que Michael queria pois ele havia sido direto com eles.

Nada disso diminui a grandeza de Michael. Ao contrário: revela a pressão que cercava sua criação, o nível de exigência que ele colocava sobre si mesmo e a forma como sua equipe o protegia nos bastidores. Mesmo nos dias mais difíceis, todos estavam ali para sustentá-lo e preservar o espetáculo que ele tanto sonhava.

No fim, restou um sentimento agridoce. A equipe permaneceu alinhada, focada e esperanosa, pronta para o momento em que ele abriria a porta e retomaria o palco. Isso nunca aconteceu e o especial foi cancelado.