Na semana passada, Rodrigo Teaser foi reconhecido em Orlando, no Hard Rock Cafe, durante a premiação Tudo Para Brasileiros. O evento, que reúne profissionais de destaque atuando fora do país, premiou o trabalho desenvolvido por ele ao longo dos anos em tributo a Michael Jackson.
Não é apenas um troféu de estante.
Esse reconhecimento acontece num cenário onde o universo cover costuma ser nivelado por baixo – muitas vezes reduzido à imitação estética ou à nostalgia fácil. No caso de Rodrigo, a rota é oposta. O que se vê no palco é pesquisa, disciplina e, sobretudo, uma construção de espetáculo que respeita a complexidade da obra original.
O que diferencia Rodrigo é sua busca incansável pela “coisa certa”. Não à toa, ele trouxe para o projeto nomes que ajudaram a construir a história do próprio Michael. Ter LaVelle Smith Jr. (coreógrafo de Michael por mais de 20 anos) assinando a direção, Jennifer Batten na guitarra e Kevin Dorsey na direção vocal não é um detalhe; é atestado de excelência. Como o próprio LaVelle já disse: “Rodrigo se entrega totalmente. Para mim, assistir ao show é como um ‘déjà vu’, uma emoção forte de algo que acontece de novo.” Dorsey reforça o coro, destacando o orgulho e o nível de detalhe com que Rodrigo apresenta sua homenagem.
Há anos a MJ Beats defende que ele não opera na frequência do “cover tradicional”. O que foi construído se enquadra na categoria de Artista Tributo – em maiúsculas. Isso significa entender o palco como linguagem e o repertório como narrativa. Não é sobre “tentar ser o Michael”, mas sobre traduzir a energia dele para um público contemporâneo com responsabilidade cultural.

Outro ponto que valida essa consistência – e que o próprio Rodrigo faz questão de registrar – é o papel de Priscila Freitas. Ela é a peça chave na engrenagem que mantém o projeto circulando. Tributo de alto nível não se sustenta apenas com o talento de quem segura o microfone; existe logística, timing e visão de mercado. Nada ali é improviso.
A relação da Beats com o Rodrigo vem – talvez – desde a fundação do fórum em 2002, baseado num reconhecimento mútuo de que Michael Jackson não é apenas entretenimento, mas legado e história. O prêmio em Orlando não é o fim da linha, nem uma “coroação” definitiva, mas funciona como um marco simbólico importante: o de alguém que rompeu a bolha da imitação e ocupou um espaço próprio, com identidade e público.
Sem exageros ou adjetivos vazios. Apenas o reconhecimento de um trabalho que se leva a sério.




