“Ben” levou Michael Jackson a Hollywood | MJ Beats
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“Ben” levou Michael Jackson a Hollywood

Em 1972, música pop e Hollywood se encontraram num ponto improvável. Michael Jackson, aos 14 anos, já era um fenômeno global à frente do Jackson 5. Mas foi uma balada delicada, escrita para um filme sobre um rato, que deixou claro que sua trajetória solo iria muito além do circuito adolescente. Essa música se chamava Ben.

O Globo de Ouro: a primeira validação adulta

A temporada de premiações de 1973 marcou a entrada definitiva de Michael no território simbólico de Hollywood. No Golden Globe Awards, realizado no Beverly Hilton, “Ben” não apareceu como curiosidade exótica. A canção venceu na categoria Melhor Canção Original – Cinema.

O troféu, como manda o protocolo, foi oficialmente entregue aos compositores Walter Scharf e Don Black. Mas a noite, na prática, girou em torno de Michael. Ele não subiu ao palco para agradecer. Subiu para cantar. Acompanhado de seus pais, Joe e Katherine, entregou uma performance ao vivo que fez algo raro: transformou um tema de filme de apelo limitado em uma obra legitimada pela crítica internacional.

Não houve discurso. Houve música.

E foi suficiente.

O Oscar: consagração simbólica

O impacto não passou despercebido. Pouco depois, “Ben” recebeu indicação ao Academy Awards na categoria Melhor Canção Original, um feito incomum para uma faixa interpretada por um adolescente associado ao pop comercial.

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Michael Jackson e Diana Ross no Globo de Ouro, 1973

Na cerimônia de 27 de março de 1973, Michael protagonizou um dos momentos mais emblemáticos daquela edição. Introduzido por Charlton Heston, ele cantou “Ben” diante da plateia mais tradicional da indústria cinematográfica. A estatueta acabou ficando com “The Morning After”, de O Destino do Poseidon, mas o resultado soou quase secundário. A performance de Michael foi o que permaneceu na memória coletiva da noite.

Ali, sua transição ficou clara. Não mais apenas o menino-prodígio. Ainda não o Rei do Pop. Mas já um intérprete capaz de sustentar sozinho um palco que raramente acolhia vozes tão jovens.

O legado

Há uma ironia histórica difícil de ignorar. Michael Jackson foi indicado ao Oscar sete anos antes de receber sua primeira indicação ao Grammy. A indústria do cinema reconheceu seu alcance artístico antes mesmo da indústria musical tradicional fazê-lo.

“Ben” foi seu primeiro número 1 solo na Billboard, mas, mais do que isso, funcionou como um aviso silencioso. Aquele garoto não estava apenas passando por Hollywood. Estava sendo apresentado a ela.