Mais que uma Cinebiografia: MICHAEL e o poder de um Ícone Global | MJ Beats
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Mais que uma Cinebiografia: MICHAEL e o poder de um Ícone Global

Tom Brady entrou na cabine de transmissão e, sem dizer uma palavra, disse tudo. Uma luva. Não era figurino, nem nostalgia ensaiada. Era um sinal silencioso e claro de que, mesmo em um jogo entre Philadelphia Eagles e Buffalo Bills, a silhueta mais famosa da cultura moderna ainda projeta sua sombra. Dezessete anos após sua morte, aos 50 anos, Michael Jackson continua impossível de ignorar.

Essa é a estranha força que já move “Michael”, o aguardado filme biográfico que chega aos cinemas em 24 de abril de 2026. Ainda faltam meses, mas o projeto já se comporta como um evento global. Pôsteres surgem de Tóquio a São Paulo. Trailers quebram recordes. O marketing funciona, mas a curiosidade vai além dele. Jackson nunca foi apenas famoso. Ele foi universal.

Os Beatles dominaram uma era. Elvis conquistou os Estados Unidos. Michael Jackson pertenceu ao planeta. Seu rosto, sua luva, a postura inclinada antes do primeiro beat eram reconhecidos em vilas sem energia elétrica e em cidades que nunca dormiam. Apenas Muhammad Ali chegou perto desse nível de reconhecimento global. Ainda assim, Ali não entrava nas salas de estar dançando todas as noites.

O que o filme “Michael” entende, e que muitas tentativas anteriores falharam em captar, é que essa história não pode ser reduzida a uma lista de controvérsias. Esses capítulos existem. Foram julgados, televisionados, repetidos e explorados. O filme escolhe outro caminho. Trata a vida de Jackson como uma força cultural, não como um arquivo jurídico.

Essa escolha ganha peso por quem está envolvido. Prince Jackson, filho mais velho de Michael, atua como produtor executivo e assume o cuidado com o legado sem ser obrigado a reviver os momentos mais duros da infância. Paris e Bigi permanecem fora do espetáculo. Não se trata de uma autópsia pública, mas de uma lembrança autorizada pela família.

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, assume o papel principal com algo que nenhum ator externo poderia oferecer. Memória corporal. Memória de sangue. Seus gestos não soam como imitação. Soam naturais. O jeito de inclinar a cabeça, de segurar o silêncio antes do som, de ocupar o espaço. Não são truques aprendidos. São gestos herdados.

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Sob a direção de Antoine Fuqua e roteiro de John Logan, o filme acompanha a trajetória de Gary, em Indiana, até o isolamento global, sem transformar Jackson em santo nem em caricatura. Quincy Jones está presente. A Motown está presente. O esforço aparece. A alegria aparece. A solidão também. Não é sobre equilíbrio. É sobre verdade contada com arte.

A Lionsgate já admite que a história de Michael Jackson talvez não caiba em um único filme. O presidente do estúdio, Adam Fogelson, mencionou a possibilidade de novos capítulos após o lançamento inicial. Para qualquer outro artista, isso soaria exagerado. Para Michael Jackson, parece até contido.

O que separa Jackson das estrelas atuais não é apenas talento. É alcance no tempo. Seu público inclui pessoas que nem eram vivas quando “Thriller” mudou as regras, quando “Bad” redefiniu o espetáculo, quando “Dangerous” misturou pop com ritmos globais. Poucos artistas atravessam gerações assim.

A força final do filme está na contenção. Ele não pede que o público esqueça nada. Pede que lembre de algo antes. A música. A precisão. A ousadia. A capacidade de fazer o mundo inteiro se mover junto.

Um comentário sob o trailer resume bem esse sentimento. “Nunca tive a chance de ver Michael Jackson ao vivo, e não vou deixar essa oportunidade passar. Comprar esse ingresso parece finalmente estender a mão ao Rei do Pop. Algo que sonhei por anos.” E talvez seja exatamente isso que “Michael” oferece. Não um adeus. Um reencontro.

por Stacy M. Brown