O K-pop é frequentemente apresentado como um fenômeno cultural único, moderno e essencialmente coreano. Mas uma análise mais atenta revela que suas raízes estão profundamente ligadas a influências externas, especialmente da música ocidental. Pop americano, hip-hop, R&B e música eletrônica não apenas inspiraram o gênero, como ajudaram a moldar sua estrutura, estética e estratégia global.
Entre essas influências, nenhuma foi tão decisiva quanto o modelo criado pela Motown Records, nos Estados Unidos. A gravadora estabeleceu um sistema quase industrial de formação artística, com treinamento rigoroso em canto, dança, postura e presença de palco. Esse método foi responsável por lançar grupos como The Supremes e The Jackson 5, e décadas depois seria praticamente replicado pelo sistema de idols do K-pop.
A semelhança não é coincidência. O próprio conceito de grupos altamente treinados, visualmente coordenados e preparados para o mercado internacional segue a lógica da Motown. O K-pop adotou esse modelo com precisão, ajustando-o à cultura coreana, mas mantendo a espinha dorsal criada no Ocidente.
Nos anos 1990, essa influência deu um passo ainda mais claro. Foi nesse período que o K-pop passou a absorver diretamente o estilo de Michael Jackson, que já havia se consolidado como o maior artista pop do planeta. Sua forma de cantar, dançar e construir narrativas visuais se tornou um verdadeiro manual não oficial para a indústria coreana.
Michael Jackson não influenciou apenas sons, mas também movimentos, enquadramentos de câmera e a forma como a música dialoga com a dança. Videoclipes de K-pop começaram a refletir coreografias mais complexas, passos marcantes e performances pensadas para impactar globalmente, algo que Jackson dominava como ninguém.
Ainda hoje, esse legado é visível. Basta observar inúmeros clipes e apresentações ao vivo para reconhecer gestos, formações e estilos que remetem diretamente ao artista. O impacto de Michael Jackson no K-pop é inegável, não como uma referência distante, mas como um blueprint que continua sendo seguido e reinterpretado.
Reconhecer essa origem não diminui o K-pop. Pelo contrário. Mostra como a indústria soube aprender, adaptar e evoluir a partir de influências poderosas. O K-pop não nasceu do nada. Ele foi construído sobre uma base sólida, e nessa base estão Motown, The Jackson 5 e, acima de tudo, Michael Jackson, cuja sombra ainda dança forte nos palcos do mundo.




