A caminhada em Ipanema foi curta: da esquina da rua Farme de Amoedo até a galeria Vip Center, onde fez compras, foram pouco mais de 50 metros. O suficiente para parar parte do bairro.
Michael Jackson, deixou de lado a fama de ser uma pessoa avessa a tumultos e multidões. Ontem [12 de fevereiro de 96], no início da tarde, ele caminhou por um trecho da rua Visconde de Pirajá -uma das mais movimentadas de Ipanema, zona sul.
Pela manhã, o cantor já havia aparecido diversas vezes na varanda de sua suíte no hotel Rio Palace (zona sul), acenando, fazendo careta para os fãs e jogando guardanapos autografados. Depois, havia sobrevoado a cidade de helicóptero por meia hora.
A caminhada em Ipanema foi curta: da esquina da rua Farme de Amoedo até a galeria Vip Center, onde fez compras, foram pouco mais de 50 metros. O suficiente para parar parte do bairro.
“Não é ele não. É um sósia. Ele não ia andar por essa buraqueira”, disse, incrédulo, o operário Flávio José dos Santos, 32, que trabalhava nas obras da prefeitura. O bairro de Ipanema está tomado por obras do projeto Rio Cidade.
Todo vestido de preto e com máscara no rosto, Jackson entrou na galeria cercado por fãs.
Na Musicenter, primeira loja onde entrou, gastou cerca de R$ 600 comprando um tamborim, um agogô, um reco-reco e uma viola caipira. Deixou ainda encomendada uma cuíca.
Depois, tentou comprar alguns CDs dos Beatles e Beach Boys. Não conseguiu. A loja onde entrou -a Spider CDs- é uma locadora e o gerente Richard Geier não quis vender parte de seu acervo para Jackson.
Jackson e as três crianças que o acompanham durante a viagem desceram a escada rolante da galeria espremidos pela multidão. O grupo então entrou na loja de brinquedos La Look.
Eduardo Venâncio Gomes, 12, e Rogério Martins Rosa, 11, conseguiram furar o bloqueio da segurança e entrar na loja com Jackson.
Vendedores de bala nas ruas de Ipanema, os dois ganharam presentes do cantor. Eduardo saiu com um robô e Rogério com um carro com controle remoto.
Rogério deu uma nota de R$ 1 para Jackson e recebeu de volta US$ 10. Eduardo conseguiu uma nota de US$ 5.
Jackson comprou outros brinquedos para seus acompanhantes, gastando cerca de R$ 1 mil. Do lado de fora, cerca de 300 pessoas se acotovelavam para ver Jackson. A segurança do cantor demonstrava preocupação, mas não ocorreu nenhum incidente.
O retorno do cantor para os Estados Unidos estava previsto para o final da noite de ontem.
Folha de São Paulo, Fevereiro de 1996




