Lionsgate aposta US$ 155 milhões em “Michael” e sonha com um moonwalk bilionário | MJ Beats
Lionsgate aposta US$ 155 milhões em “Michael” e sonha com um moonwalk bilionário | 577055418 1274391364724271 6651736256144125707 n

Lionsgate aposta US$ 155 milhões em “Michael” e sonha com um moonwalk bilionário

A Lionsgate decidiu apostar mais alto do que nunca em uma cinebiografia musical. “Michael”, filme que retrata a vida de Michael Jackson, recebeu um investimento de US$ 155 milhões e teve seu lançamento adiado para 24 de abril de 2026 (no Brasil, dia 23). O adiamento não foi um recuo, mas parte de uma estratégia maior. Com o apoio da poderosa máquina de marketing da Universal no mercado internacional, o estúdio acredita que o filme tem potencial real para alcançar US$ 1 bilhão em bilheteria mundial.

No centro dessa aposta está Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, que assume o papel do Rei do Pop. Desde a primeira exibição de imagens na CinemaCon, em 2024, executivos e jornalistas destacaram a impressionante semelhança entre Jaafar e o tio, tanto na voz quanto nos movimentos e na presença de palco. A escolha do protagonista virou um dos principais trunfos do projeto.

Este não é um documentário simples nem uma produção apressada. As filmagens principais foram concluídas em maio de 2024, mas ajustes no roteiro e gravações adicionais empurraram o cronograma original, que previa estreia em outubro de 2025. O CEO da Lionsgate, Jon Feltheimer, confirmou a nova data durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre fiscal de 2025, deixando claro que a decisão busca fortalecer o impacto financeiro do estúdio em 2027, em vez de lançar o filme às pressas.

Michael.jpg Lionsgate aposta US$ 155 milhões em “Michael” e sonha com um moonwalk bilionário
Michael / Universal Pictures

De um sonho em 2019 a uma superprodução de US$ 155 milhões

O projeto começou a tomar forma em 2019, quando o produtor Graham King, embalado pelo sucesso de Bohemian Rhapsody, iniciou as negociações com o espólio de Michael Jackson. A Lionsgate entrou oficialmente no jogo em 2022, Antoine Fuqua assumiu a direção em 2023 e, em janeiro daquele mesmo ano, Jaafar Jackson foi anunciado como protagonista, consolidando o núcleo criativo do filme.

O caminho até aqui esteve longe de ser tranquilo. As greves do sindicato SAG-AFTRA atrasaram as filmagens, que só avançaram de vez no início de 2024. Além disso, houve gravações extras em 2025 para refinar a narrativa. Em determinado momento, um corte preliminar chegou perto de quatro horas de duração, o que gerou discussões sobre dividir o projeto em dois filmes. A ideia foi abandonada, e a decisão final foi manter um único longa, com cerca de três horas e meia.

Essa escolha concentra toda a trajetória de Michael Jackson em um único impacto cinematográfico. Da infância prodígio no Jackson 5, passando pelo auge da era Thriller, até os anos finais de sua carreira, tudo precisa coexistir em um só filme. O presidente da Lionsgate, Adam Fogelson, já deixou no ar a possibilidade de projetos futuros, mas reforçou que o foco agora é fazer deste primeiro filme algo definitivo.

Elenco de peso e trilha sonora pensada para lotar salas

O elenco que cerca Jaafar reforça a ambição da produção. Colman Domingo e Nia Long interpretam Joe e Katherine Jackson, dando sustentação emocional à história familiar. Miles Teller vive o advogado John Branca, enquanto Larenz Tate assume o papel de Berry Gordy. Laura Harrier e Kat Graham completam o time como Suzanne de Passe e Diana Ross. É um conjunto pensado para transmitir grandeza mesmo fora dos palcos.

A música, naturalmente, é um dos pilares do filme. Após negociações com o espólio de Jackson, a produção garantiu o uso de cerca de 30 canções, que atravessam o longa do início ao fim. A estratégia lembra a de Bohemian Rhapsody, que ultrapassou US$ 900 milhões em bilheteria. A diferença é que, neste caso, o catálogo pertence a um dos artistas mais reconhecidos do planeta.

As primeiras imagens divulgadas reforçam essa escala. As cenas de palco são filmadas como grandes concertos, com brilho, multidões e energia. O orçamento elevado chama atenção para uma cinebiografia, mas o burburinho da indústria indica que o investimento pode se justificar se o público abraçar o filme.

Michael-1.jpg Lionsgate aposta US$ 155 milhões em “Michael” e sonha com um moonwalk bilionário
Michael / Universal Pictures

Reação dos fãs e confiança silenciosa da indústria

Nas redes sociais, a reação inicial foi intensa. Frases como “Jaafar é o Michael” viralizaram rapidamente. Ao mesmo tempo, há debates sobre como o filme lidará com aspectos delicados da vida do artista, evitando cair em abordagens sensacionalistas.

A recepção na CinemaCon foi descrita como extremamente positiva, e a ausência de novas cenas em eventos posteriores foi interpretada como confiança, não como insegurança. A estratégia parece clara: menos exposição agora, mais impacto perto da estreia.

No campo financeiro, cada menção ao filme nas apresentações de resultados da Lionsgate gerou atenção do mercado. Enquanto isso, fãs analisam trailers, fotos de bastidores e cada detalhe da performance de Jaafar, tratando o projeto como um grande evento cultural.

O maior moonwalk das bilheteiras em 2026?

Com a estreia marcada para abril de 2026, “Michael” se posiciona como um dos grandes lançamentos da primavera nos Estados Unidos. A Lionsgate cuidará da distribuição doméstica, enquanto a Universal assume o mercado internacional, ampliando o alcance global do filme.

A marca de US$ 1 bilhão pode soar ambiciosa, mas não é absurda. Bohemian Rhapsody chegou perto disso sem o peso cultural de Michael Jackson. Somando um protagonista ligado à família, a direção de Antoine Fuqua e um repertório musical conhecido por gerações, fica claro por que analistas enxergam o filme como um potencial fenômeno.

Se tudo der certo, 2026 pode ser lembrado como o ano em que Michael Jackson voltou a dominar os holofotes, agora nas telas de cinema. Um risco enorme, um investimento histórico e a chance real de redefinir o que uma cinebiografia musical pode alcançar nas bilheteiras.

por Paulina Colosio, Fan Bolt