O trailer de Michael, dirigido por Antoine Fuqua, estreou hoje, trazendo uma surpresa: um filme que parece ter coragem de mostrar o preço de ser Michael Jackson, e não apenas celebrar suas conquistas. Desde os primeiros segundos, o longa sinaliza sua origem na dificuldade econômica, mostrando Joe Jackson voltando para casa na neve, carregando uma marmita, em um cenário que contrasta o frio da rua com o calor da casa amarela. A tensão entre exaustão e esperança já estabelece o território do filme: um pai que canaliza frustração em disciplina rígida para impulsionar seus filhos rumo a uma vida diferente.
Os primeiros anos
O trailer mostra a formação do Jackson 5 e o rigor do treinamento imposto por Joe. Quando ele pergunta na cozinha “Vocês estão dispostos a lutar por isso?” e recebe o “Sim, senhor!” coletivo, está selando um contrato verbal de servidão em nome do estrelato. Close-ups revelam a relação transacional entre Joe e os filhos, com ele segurando um sapato enquanto observa os ensaios. A frase “Precisamos aproveitar o sucesso do Michael” deixa claro que Michael foi transformado em produto, e o trailer confia no público para entender o impacto desse momento.

Caminho para a carreira solo
Com a entrada de Quincy Jones, vemos a transição de Michael para artista solo. O respeito na frase “Pronto quando você estiver, Michael” não esconde o desequilíbrio de poder entre mentor e protegido. Durante a reunião familiar, o olhar de Joe derruba qualquer tentativa de autonomia: “Eu já te disse o que pensar”. Colman Domingo entrega intensidade em segundos, enquanto Nia Long, como Katherine, transmite com silêncio toda a tensão do poder familiar. Jaafar Jackson consegue, em uma simples reação, mostrar o momento em que a independência de Michael é contida, refletindo o peso da criação e da disciplina.
Jaafar Jackson brilha
O jovem Michael é mostrado em seu impulso criativo, cercado de notas amarelas, revelando tanto talento quanto sobrecarga emocional. O trailer sugere a origem de sua insônia e da mente inquieta, equilibrando compreensão e crítica. A sequência com Bill Bray, seu guarda-costas e figura paterna, mostra Michael sendo encorajado a tomar suas próprias decisões: “Então faça, Michael. Você não é mais um garotinho.” A oposição entre Joe e Bill evidencia a dicotomia entre controle e autonomia, entre infância roubada e escolhas adultas.

O início da sua história e legado
O trailer avança para a missão de Michael: transformar o mundo com a música. Entre coreografias, multidões e concertos, vemos evidências de sucesso e alegria. Mas a tragédia não fica de fora: o acidente do comercial da Pepsi em 1984 marca o começo da dependência de medicação para dor, mostrando que mesmo o amor e a alegria oferecidos ao público não garantiam paz e proteção ao artista. O filme demonstra o conflito constante entre espetáculo e vulnerabilidade, sem perder a coerência temática. As imagens finais equilibram magia e realidade: close-up de Michael e a palavra “Magia” revelam o quanto sua vida foi construída entre ilusão e sacrifício.
O filme não se limita a celebrar, mas examinar o que foi perdido, extraído ou negado na busca por transcendência, autonomia e escapismo. Segundo o trailer, Fuqua, Lionsgate e a equipe de produção não estão poupando críticas ao material, sugerindo que a cinebiografia buscará oferecer um retrato honesto e complexo do Rei do Pop, com possibilidade de continuação em uma segunda parte.




