Por que a trilha da cinebiografia ignora a fase de ouro do 'The Jacksons'? | MJ Beats
Por que a trilha da cinebiografia ignora a fase de ouro do 'The Jacksons'? | mjbeats.com .br The Jacksons MICHAEL

Por que a trilha da cinebiografia ignora a fase de ouro do ‘The Jacksons’?

Com o anúncio oficial da tracklist da cinebiografia Michael, uma lacuna técnica e emocional saltou aos olhos dos pesquisadores e fãs: enquanto o frescor da fase Jackson 5 na Motown está garantido, não há uma única faixa de estúdio da era The Jacksons sob o selo Epic Records/Sony. O único registro dessa metamorfose artística no álbum é um medley extraído de turnês ao vivo, onde os irmãos reinterpretam sucessos do passado em vez de celebrar as composições autorais que definiram o final dos anos 70.

O Fator Randy Jackson

Embora o Espólio de Michael Jackson tenha facilitado o acesso ao catálogo solo e a Sony/Columbia Records gerencie o lançamento global, o licenciamento das obras produzidas pelos irmãos encontrou uma barreira administrativa intransponível: Randy Jackson.

Fontes sólidas da indústria fonográfica indicam que Randy, mantendo uma postura litigiosa crônica contra o Estate e membros da própria família, tem sido o principal obstáculo para a liberação de fonogramas e direitos autorais. Como o uso sincronizado em cinema e o lançamento de uma trilha comercial exigem a anuência absoluta de todos os detentores de direitos, a resistência técnica de Randy inviabilizou a inclusão de peças fundamentais como Shake Your Body (Down to the Ground) e a monumental Can You Feel It.

A Ética da Excelência vs. A Insegurança dos Bastidores

Essa dinâmica defensiva não é um fenômeno recente, mas um traço comportamental que já gerava faíscas no auge criativo do grupo. Um episódio emblemático de bastidor revela a distância entre a mentalidade de Michael e a de seus irmãos. Durante uma sessão de gravação, Randy Jackson questionou um lendário músico — cuja assinatura rítmica é indissociável dos maiores hits daquela era — se ele entregaria aos Jacksons a mesma qualidade técnica que dedicava aos projetos solo de Michael.

A resposta do músico foi um golpe de dignidade profissional que ressoa até hoje nos arquivos da indústria: “Só existe uma qualidade para mim: a excelência”.

Este confronto sintetiza o abismo editorial desta cinebiografia. Enquanto Michael Jackson operava sob uma ética de reverência aos grandes colaboradores e à inovação sem limites, o ambiente ao seu redor muitas vezes era contaminado por inseguranças e comparações. O resultado desse “malabarismo” jurídico atual é um álbum que sofre um salto temporal artificial. Ao substituir gravações icônicas de estúdio por versões ao vivo para contornar bloqueios de Randy, a produção acaba por silenciar a precisão técnica de uma era onde Michael provou que sua genialidade não aceitava nada menos que o absoluto.