Com a aguardada cinebiografia do Rei do Pop no horizonte, o legado do maior artista de todos os tempos nunca esteve tão vivo. Para o lendário produtor Teddy Riley, ver Jaafar Jackson assumir o papel de seu tio nas telonas é uma experiência profundamente emocionante. Riley, que moldou a sonoridade de algumas das maiores obras de Michael Jackson, elogiou a assustadora semelhança vocal e a presença de palco do jovem. Para o produtor, a jornada de Jaafar ecoa um conselho vital que o próprio Michael costumava dar para espantar a timidez e atingir a grandeza: “Não seja você mesmo, seja seus ídolos. E você se pegará dando um show, porque você é a sua própria audiência.”
Para entender o peso dessa herança e a magia que a cinebiografia promete recriar, é preciso mergulhar nas trincheiras do estúdio com quem testemunhou o gênio em ação. Em uma recente e reveladora entrevista a Cam Newton no podcast Funky Friday, Riley abriu o baú de memórias sobre a criação do histórico álbum Dangerous (1991). Como um dos pioneiros do New Jack Swing, o produtor ajudou Michael a redefinir o R&B global com uma textura rítmica afiada que ecoa até hoje.
Trabalhar com Michael era o equivalente a frequentar a mais rigorosa universidade de excelência musical. “Ir trabalhar com ele é como ir para a faculdade, porque ele é um perfeccionista absoluto”, relembra Riley. Esse nível de exigência ficou imortalizado na criação do hino Remember the Time. Riley levou cerca de dois meses lapidando a estrutura da faixa, buscando uma frequência sonora milimetricamente específica exigida por Michael. Durante as avaliações, o Rei do Pop abria uma maleta repleta de fitas demo para comparar texturas e não aceitava nada menos que a inovação total. “Ele nos mandou de volta para a Virgínia para mixar a música novamente e encontrar aquele som exato”, revela o produtor.
A ética de trabalho implacável dividia espaço com episódios surrealistas que apenas uma figura com a magnitude de Michael poderia proporcionar. Riley compartilhou uma história inacreditável ocorrida no Larrabee Studios, em Los Angeles. Após finalizarem o primeiro verso de Remember the Time, Michael desapareceu do prédio sem avisar. Horas depois, Riley e o lendário engenheiro de som Bruce Swedien, que o aguardavam na sala de controle, receberam uma ligação do artista – ele estava em um avião particular a caminho da Suíça para inspecionar um novo shopping center, pedindo desculpas pela saída abrupta.
Apesar de viver sob uma redoma criada por sua própria fama colossal, Michael preservava uma essência humana cativante e genuína. Durante o desenvolvimento do álbum Invincible, no início dos anos 2000, o astro fez uma visita surpresa ao estúdio de Riley na Virgínia. A intenção era encantadoramente simples: ir a uma livraria Barnes & Noble comprar livros para os filhos. O resultado, no entanto, foi o caos absoluto – a loja precisou ser fechada e as ruas adjacentes foram tomadas por fãs, caminhões de transmissão e satélites de TV, forçando a equipe de segurança de Riley a organizar um resgate.
Ao refletir sobre o impacto imortal daquele que redefiniu a cultura pop, Riley não tem dúvidas de que, se Michael estivesse no auge durante a era digital atual, seu domínio seria exponencialmente maior. “Ele sabia fazer marketing e ser relevante sem sequer tentar”, pontua o produtor. É exatamente essa relevância inabalável e esse poder de comando absoluto que o mundo se prepara para rever nos cinemas – a prova definitiva de que a coroa de Michael Jackson permanece intacta.




