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A construção de um mito: como o cinema recria Michael Jackson

Ao mergulhar nos bastidores do filme MICHAEL, uma coisa ficou clara: interpretar Michael Jackson vai muito além de imitar passos ou cantar suas músicas. Em meio às gravações, havia momentos curiosos, como quando um colega usava um iPhone em cena e era imediatamente alertado de que aquilo não fazia sentido em uma história ambientada nos anos 60. A resposta vinha em tom de brincadeira, gerando risadas e mostrando que, mesmo em produções sérias, o clima leve também faz parte do processo.

O peso da disciplina por trás do talento

Durante as filmagens, ficou evidente o quanto Michael Jackson era extremamente dedicado. Desde criança, ele já vivia uma rotina intensa, acordando cedo ou virando noites para aperfeiçoar canto, dança e presença de palco. Para chegar perto disso, o preparo exigiu treino constante e observação minuciosa. Afinar a voz podia levar até uma hora, com análise detalhada de entrevistas e apresentações do artista.

A preparação vocal do ator Juliano Krue Valdi que deu vida ao Michael, incluiu técnicas específicas, como o vibrato, ensinado pela professora de canto. Um detalhe que parece simples, mas que exige prática e controle. Esse tipo de ajuste foi essencial para dar mais autenticidade às cenas musicais, principalmente nas performances mais conhecidas.

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Antoine Fuqua com Juliano Krue Valdi em MICHAEL

Entre coreografias e emoção em cena

Um dos maiores desafios veio na gravação de “Never Can Say Goodbye”. A cena exigia precisão absoluta nos movimentos, já que qualquer erro de tempo comprometeria o ritmo. Foi um exercício de concentração, memória e repetição até atingir o resultado ideal. Já “ABC” trouxe outro tipo de emoção: a chance de recriar uma apresentação histórica no palco do Ed Sullivan, em um cenário fiel ao original.

O figurino também teve papel importante nessa construção. Camisas chamativas, calças brancas e sapatos pretos ajudaram a recriar com fidelidade a imagem do jovem artista. Cada detalhe era pensado, desde a proteção das roupas contra maquiagem até o processo de transformação com cabelo afro, peruca e próteses dentárias, que deixavam o visual ainda mais próximo do original.

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Judah Edwards as Young Tito, Jaylen Hunter as Young Marlon, Juliano Krue Valdi as Young MJ, Nathaniel McIntyre as Young Jackie and Jayden Harville as Young Jermaine in Michael. Photo Credit: Courtesy of Lionsgate

Fora das câmeras, o ambiente era marcado por parceria e descontração. Jaafar Jackson se destacou pelo bom humor, criando momentos leves entre uma gravação e outra. Mesmo sem contracenarem diretamente, essa troca contribuiu para a construção do projeto.

Entre lanches rápidos e pequenas lembranças levadas para casa, como os dentes usados em cena, o filme deixou marcas que vão além da atuação. No fim, mais do que representar um ícone, a experiência revelou algo essencial: por trás do artista global, existia uma pessoa disciplinada, gentil e profundamente dedicada ao que fazia.

Este texto foi construído com base na entrevista “Michael: Nailing Michael Jackson’s Hardest Performance | Set Stories”, concedida ao Collider Behind the Scenes.