Ao mergulhar nos bastidores do filme MICHAEL, uma coisa ficou clara: interpretar Michael Jackson vai muito além de imitar passos ou cantar suas músicas. Em meio às gravações, havia momentos curiosos, como quando um colega usava um iPhone em cena e era imediatamente alertado de que aquilo não fazia sentido em uma história ambientada nos anos 60. A resposta vinha em tom de brincadeira, gerando risadas e mostrando que, mesmo em produções sérias, o clima leve também faz parte do processo.
O peso da disciplina por trás do talento
Durante as filmagens, ficou evidente o quanto Michael Jackson era extremamente dedicado. Desde criança, ele já vivia uma rotina intensa, acordando cedo ou virando noites para aperfeiçoar canto, dança e presença de palco. Para chegar perto disso, o preparo exigiu treino constante e observação minuciosa. Afinar a voz podia levar até uma hora, com análise detalhada de entrevistas e apresentações do artista.
A preparação vocal do ator Juliano Krue Valdi que deu vida ao Michael, incluiu técnicas específicas, como o vibrato, ensinado pela professora de canto. Um detalhe que parece simples, mas que exige prática e controle. Esse tipo de ajuste foi essencial para dar mais autenticidade às cenas musicais, principalmente nas performances mais conhecidas.

Entre coreografias e emoção em cena
Um dos maiores desafios veio na gravação de “Never Can Say Goodbye”. A cena exigia precisão absoluta nos movimentos, já que qualquer erro de tempo comprometeria o ritmo. Foi um exercício de concentração, memória e repetição até atingir o resultado ideal. Já “ABC” trouxe outro tipo de emoção: a chance de recriar uma apresentação histórica no palco do Ed Sullivan, em um cenário fiel ao original.
O figurino também teve papel importante nessa construção. Camisas chamativas, calças brancas e sapatos pretos ajudaram a recriar com fidelidade a imagem do jovem artista. Cada detalhe era pensado, desde a proteção das roupas contra maquiagem até o processo de transformação com cabelo afro, peruca e próteses dentárias, que deixavam o visual ainda mais próximo do original.

Fora das câmeras, o ambiente era marcado por parceria e descontração. Jaafar Jackson se destacou pelo bom humor, criando momentos leves entre uma gravação e outra. Mesmo sem contracenarem diretamente, essa troca contribuiu para a construção do projeto.
Entre lanches rápidos e pequenas lembranças levadas para casa, como os dentes usados em cena, o filme deixou marcas que vão além da atuação. No fim, mais do que representar um ícone, a experiência revelou algo essencial: por trás do artista global, existia uma pessoa disciplinada, gentil e profundamente dedicada ao que fazia.
Este texto foi construído com base na entrevista “Michael: Nailing Michael Jackson’s Hardest Performance | Set Stories”, concedida ao Collider Behind the Scenes.




