Por Ethan Millman, Hollywood Reporter
Sim, Jaafar Jackson canta no filme. Mas, em boa parte dos números musicais, o público também ouve Michael Jackson. O supervisor musical vencedor do Oscar, John Warhurst, explicou como essa combinação foi construída.
A atuação de Jaafar Jackson como seu tio em MICHAEL foi um dos pontos mais comentados do filme. Ele entrega uma interpretação muito fiel, desde a aparência até os gestos, sorriso, dança e voz.
Nas falas, tudo é feito por Jaafar e por Juliano Valdi, que interpreta Michael ainda criança na era Jackson 5. Já nas músicas, o trabalho exige mais técnica: a equipe combinou gravações feitas ao vivo pelos atores com as gravações originais de Michael Jackson.
As vozes dos atores aparecem quando não existe material original, como nas cenas em que Jaafar improvisa no estúdio durante “Don’t Stop Til You Get Enough” ou quando Juliano canta o início de “I Want You Back”. Quando a gravação original entra, a voz de Michael Jackson passa a dominar a cena.

A escolha de manter Michael presente
Segundo John Warhurst, a equipe discutiu a possibilidade de gravar todas as músicas apenas com os atores. Eles tinham capacidade para isso. Mas a decisão foi guiada por uma pergunta simples: o público quer ouvir apenas os atores ou quer sentir a presença real de Michael no filme?
A conclusão foi clara. Em MICHAEL, fazia mais sentido manter Michael Jackson como parte essencial da experiência, garantindo autenticidade e uma ligação mais forte com o público.
Warhurst já trabalhou em produções como Bohemian Rhapsody, Whitney Houston: I Wanna Dance With Somebody e Bob Marley: One Love, e trouxe essa experiência para o desenvolvimento de MICHAEL.
Como o som foi construído no filme
O processo começa ainda nas gravações, como em um musical ao vivo. Os atores cantam de verdade no set, criando o que Warhurst chama de uma base visual convincente. Isso é importante porque a voz precisa combinar com o que o público vê.
Em cenas de estúdio, tudo é feito como uma gravação real, com microfone e fones. Já nas apresentações maiores, como shows, o desafio é transmitir energia, impacto e presença de palco.
Na pós-produção, a equipe trabalha com várias tomadas dos atores e com a gravação original de Michael. É nesse momento que acontece a mistura. Cada cena é ajustada para decidir quando usar a voz dos atores e quando trazer a de Michael.
Nos momentos de improviso, a voz é totalmente dos atores. Já nas partes mais marcantes, a voz de Michael Jackson entra para reforçar a identidade da performance.
Sem uso de inteligência artificial
Warhurst deixou claro que não foi utilizada inteligência artificial. O trabalho foi feito com técnicas tradicionais de áudio, como equalização, compressão e reverberação.
Ele também destacou que usar playback não funcionaria. O público perceberia qualquer diferença entre imagem e som. Além disso, os atores precisaram cantar várias vezes durante as filmagens, mantendo sempre a mesma intensidade.
No resultado final, a base é a atuação dos atores, com a voz de Michael Jackson sendo aplicada por cima em momentos estratégicos. Uma combinação que respeita o legado e, ao mesmo tempo, entrega uma experiência nova ao público.




