por Janeé Bolden
No auge da fama de Michael Jackson, os olhos do mundo estavam voltados para cada movimento seu. Agora, com MICHAEL chegando aos cinemas em 24 de abril, o público é convidado a olhar novamente, desta vez através de uma visão construída por memória, movimento e narrativa visual.
Algumas críticas apontaram a abordagem mais leve em temas polêmicos, mas para quem busca mergulhar na arte de Michael Jackson, o filme entrega outra proposta: sentir a emoção e a energia que ele criava no palco.
O foco está nas performances
Dirigido por Antoine Fuqua, MICHAEL mantém o essencial em destaque: as apresentações.
“No palco, Michael era como um super-herói”, afirma o diretor. “Era ali que ele mais brilhava.”
Com experiência em videoclipes, Fuqua constrói o filme como um arquivo vivo, reunindo referências de décadas para recriar não apenas o que o artista fazia, mas como o público se sentia ao assistir.
Detalhes como o gesto de tirar o chapéu, o brilho dos sapatos e o famoso moonwalk são tratados com cuidado. As cenas não buscam apenas precisão, mas também transmitir sensação e presença, respeitando coreografias e momentos esperados pelos fãs.

O filme acompanha a evolução visual da carreira, desde os anos 60 até os 80, adaptando a estética conforme o crescimento artístico. Ainda assim, Fuqua evita exageros. “Com Michael, é preciso cuidado para não perder nenhum movimento”, explica.
Detalhes que constroem autenticidade
As performances contam com os vocais originais, enquanto Jaafar Jackson e o jovem ator Juliano Valdi dão vida à coreografia. Jaafar, sobrinho do artista, impressiona ao reproduzir expressões e postura, criando momentos em que a presença de Michael parece real.
Mas o filme também explora um lado menos visto. “São os momentos de solidão”, diz Fuqua. Cenas fora do palco mostram o artista em situações simples, como assistindo TV com a família ou buscando conexões pessoais, revelando alguém que, mesmo no auge, ainda procurava felicidade.
Essa dualidade, entre ícone global e indivíduo reservado, também aparece nos figurinos. A designer Marci Rodgers enfrentou o desafio de recriar um dos estilos mais reconhecidos da cultura pop.
Com mais de 800 páginas de pesquisa, ela analisou fotos, vídeos e referências da época, chegando a detalhes minuciosos como medidas, cores e materiais. Um exemplo marcante foi a recriação da calça vermelha de Thriller, que precisou ser ajustada várias vezes até atingir o tom exato.

Outro desafio foi a jaqueta do Grammy de 1984. Inicialmente considerada de lantejoulas, Rodgers descobriu que era feita com contas específicas, exigindo uma reconstrução fiel.
Detalhes como luvas e meias, muitas vezes ignorados, também receberam atenção especial. Ajustes internos nos figurinos permitiram que os atores executassem as coreografias sem comprometer o visual.
No fim, MICHAEL se destaca não apenas pela precisão técnica, mas pela capacidade de reconectar o público com a experiência de ver Michael Jackson em ação.
Mesmo abordando pressões da fama e relações familiares complexas, o coração da história está no palco. “Quero que as pessoas saiam felizes e cantando”, diz Fuqua.
E é exatamente aí que MICHAEL encontra sua força: na lembrança viva de um artista que transformava cada apresentação em algo inesquecível.




