Eu já vi muitos filmes na vida. Bons, ótimos, esquecíveis. Mas saí de MICHAEL sentindo algo que eu realmente não esperava. Saí do cinema tremendo.
Vou ser direto com você. Entrei na sessão com muitas dúvidas. Uma cinebiografia de Michael Jackson, produzida pelo próprio Espólio, dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por um completo desconhecido? Todos os sinais na minha cabeça diziam que isso poderia dar errado. Parecia o tipo de projeto polido demais, seguro demais, feito para agradar e nada além disso.
Mas não é isso. Nem de perto.
Desde a primeira cena, o filme te prende e não solta mais. Fuqua não está ali para jogar no seguro. Ele quer fazer cinema de verdade. E consegue.
Mas a grande história aqui é Jaafar Jackson. Isso precisa ser dito com clareza. Ele nunca tinha atuado antes. Nunca esteve em um set. Nunca fez aula de atuação. E o que ele entrega aqui é uma das estreias mais impressionantes que eu já vi. A voz, o corpo, o olhar… há algo nele que vai além da atuação. Parece estar no sangue. Quando ele se move, você prende a respiração. Quando fala, arrepia. Não é um ator interpretando Michael. É algo raro acontecendo diante dos seus olhos.
As sequências musicais estão em outro nível. “Thriller”, “Beat It”, “Human Nature”… não são simples recriações. São ressurreições. Sentado na poltrona, parecia que os anos 80 estavam explodindo dentro de mim. Ao redor, o público reagia de verdade: gente emocionada, gente se mexendo, gente vivendo o momento.
Colman Domingo, como Joe Jackson, é assustador. Essa é a palavra. Ele domina cada cena com uma energia pesada e complexa que incomoda de propósito. Não é um vilão caricato. É algo mais real e perturbador: um homem que acreditava estar criando grandeza enquanto destruía o próprio filho. E o mais impressionante é que você sente essas duas coisas ao mesmo tempo.
O filme não tenta simplificar Michael Jackson. Mostra a solidão, o peso da fama e o preço de ser o maior artista do planeta. Em alguns momentos você sorri, em outros se incomoda — e às vezes tudo isso acontece na mesma cena. Esse equilíbrio é difícil, mas o filme consegue.
É perfeito? Não. O final corre um pouco. No último ato, dá para sentir algumas escolhas mais contidas, como se algo tivesse sido reduzido. Ainda assim, mesmo nessas falhas, o filme não perde sua força.
Entrei no cinema como alguém que ama filmes. Saí lembrando por que o cinema existe. Esse é o tipo de filme que você comenta com os amigos. Que você insiste para todo mundo assistir.
MICHAEL não é só a melhor cinebiografia musical dos últimos anos. É um dos melhores filmes que vi em muito tempo.
Vá assistir. Na maior tela possível. Com o melhor som que encontrar. Você vai agradecer depois.
por Let’s Cinema
MICHAEL já está com ingressos disponíveis no Brasil, com pré-estreia marcada para o dia 21 e estreia oficial no dia 23 de abril. Garanta já o seu (AQUI).




