O gosto amargo do New York Times "sabor isenção" | MJ Beats
MJ Beats Rebate Crítica NYT

O gosto amargo do New York Times “sabor isenção”

​Assistir à tentativa de Wesley Morris e Eric Hynes de desconstruir a cinebiografia Michael é um exercício de paciência documental. No New York Times, o filme é descrito como um aroma “maligno” – comparado ao cheiro de pão de uma rede de fast-food – que atrai o público para um glúten emocional que não deveríamos tolerar. É fascinante observar como a crítica cultural, do alto de sua torre de marfim, transformou o prazer estético em uma patologia e a memória afetiva em um suposto erro de julgamento.

​Dizem que o filme é pura propaganda por mostrar Michael como desejamos que ele tivesse sido. Ora, a soberba de quem se pretende detentor da verdade biográfica chega a ser comovente. A realidade que esses críticos tanto reclamam foi testada exaustivamente no fórum mais rigoroso da civilização: o tribunal. Em 2005, sob o escrutínio de provas que o jornalismo de tabloide convenientemente ignora, doze cidadãos comuns em Santa Barbara decidiram que a narrativa de culpa era a verdadeira ficção. Para o crítico, resta o papel de “chato do rolê” – aquele sujeito que entra em uma festa apenas para reclamar da textura do glacê, do tema da festa ou do sabor do bolo enquanto os convidados celebram a vida.

​Bill Bray e a Ignorância Técnica da Crítica

​A ironia – ou melhor, o sarcasmo necessário – é que Morris vê fios puxando o público, mas ele mesmo parece amarrado a um ressentimento profissional. Ele chega ao ponto de chamar Bill Bray, o lendário chefe de segurança de Michael, de um “personagem composto” ou uma “peruca”. Ignora-se, por conveniência ou preguiça intelectual, a humanidade do homem que foi a figura paterna que Joe Jackson jamais conseguiu ser. Michael escreveu cartas a próprio punho para Bray – reconhecendo-o como seu pilar de segurança física e emocional. Ver essa relação na tela não é propaganda; é o resgate de um dos poucos afetos genuínos que a indústria permitiu que Michael mantivesse.

​A Patologia do “Estraga-Prazer”

​O crítico moderno parece sofrer de uma necessidade patológica de invalidar a satisfação das massas. Se o público sai satisfeito, o filme falhou; se a memória é celebrada, ela é “explorada”. No entanto, o veredito de inocência de Michael Jackson permanece como um espelho incômodo para esses intelectuais de botequim – a dúvida razoável deles nunca foi baseada em fatos, mas em um desconforto pessoal com a excentricidade alheia.

​O que realmente incomoda o New York Times não é o “cheiro do pão”, mas o fato de que eles não conseguem mais convencer ninguém a passar fome de verdade. A história de Michael Jackson não cabe em editoriais que tentam julgar um homem já absolvido pela lei e pelo tempo.

Se a justiça institucional não foi capaz de convencer o “crítico”, o que exatamente ele espera encontrar no cinema? A verdade de uma obra de arte deve ser o reflexo do que sobreviveu à perseguição – e Michael Jackson, para desespero dos “mal amados” de profissão, sobreviveu a tudo.