Em 1988, a explosiva “Dirty Diana” entrou para a história ao se tornar o quinto single do álbum Bad a alcançar o primeiro lugar da Billboard Hot 100. O feito garantiu a Michael Jackson um recorde inédito na época: nenhum outro álbum havia produzido cinco canções número um nas paradas americanas.
Mais de vinte anos depois, esse clássico continuava ocupando um lugar especial nos planos do artista. Por isso, Dirty Diana estava entre os momentos mais aguardados da série de shows This Is It, que seria apresentada em Londres. E, como de costume, Michael não pretendia apenas cantar a música. Ele queria transformá-la em uma verdadeira experiência visual.
Uma abertura digna de cinema
Para tornar a apresentação ainda mais impactante, Michael trabalhou ao lado do mágico e comediante Ed Alonzo, responsável por criar efeitos especiais e momentos de ilusionismo para o espetáculo.
A ideia era ousada. Antes mesmo da música começar, uma dançarina faria uma perseguição coreografada até uma cama posicionada no palco. Em seguida, Michael seria simbolicamente preso por cordas douradas, representando o enredo da canção e a relação turbulenta retratada em sua letra.
O momento mais impressionante viria logo depois. Um grande tecido vermelho cobriria a cena, deixando visível apenas a silhueta do cantor. Quando o pano caísse, a mulher apareceria sozinha na cama, enquanto Michael Jackson surgiria repentinamente no centro do palco, criando um efeito de desaparecimento e reaparecimento diante da plateia.
Era uma mistura de música, teatro e ilusionismo cuidadosamente planejada para surpreender os fãs.

O último ensaio
Os preparativos para essa sequência ainda estavam em andamento nos dias que antecederam a estreia da turnê. Um ensaio específico para os efeitos de ilusionismo havia sido marcado para a noite de 25 de junho de 2009.
Na noite anterior, após jantar frango com brócolis, Michael subiu ao palco para mais uma sessão de ensaios. Mesmo relatando estar com laringite, ele revisou partes de Dirty Diana acompanhado da guitarrista Orianthi, uma das peças centrais da nova versão da música.

Segundo Ed Alonzo, Michael demonstrava energia e entusiasmo. Embora preservasse a voz durante os ensaios, sua presença de palco permanecia impressionante.
A apresentação jamais chegou a ser vista pelo público. Ainda assim, os detalhes revelados pelos integrantes da produção mostram o nível de dedicação que Michael colocava em cada momento de seus espetáculos.
Se tivesse acontecido, Dirty Diana em This Is It provavelmente teria sido uma das performances mais ambiciosas e memoráveis de toda a sua carreira, unindo rock, narrativa, dança e magia em um único ato.




