Como Michael Jackson criava músicas usando apenas a própria voz | MJ Beats
Como Michael Jackson criava músicas usando apenas a própria voz | Michael Jackson durante filmagens do curta metragem ‘Beat It 1983

Como Michael Jackson criava músicas usando apenas a própria voz

Quem já ouviu a primeira demo de Beat It sabe que ela revela um dos aspectos mais fascinantes da carreira de Michael Jackson. Antes mesmo de qualquer instrumento entrar em cena, o Rei do Pop construía praticamente toda a música usando apenas a própria voz.

Cada acorde, melodia, linha de baixo, harmonia, ritmo e até a bateria eram cantados por Michael. Com beatbox, vocalizações e diferentes timbres, ele transformava as ideias que surgiam em sua mente em uma espécie de mapa completo da canção.

A música já estava pronta em sua cabeça

Embora Michael Jackson não soubesse ler ou escrever partituras, ele possuía um ouvido musical extraordinário. Também tocava alguns instrumentos, como teclados, sintetizadores, guitarra, bateria e percussão, chegando a receber créditos por essas execuções no álbum HIStory, ainda que não se considerasse um instrumentista técnico.

Sem formação acadêmica em composição, Michael criava suas músicas de maneira intuitiva. Durante seu depoimento no julgamento do caso Dangerous, em 1994, explicou como esse processo acontecia:

“A letra, as cordas, os acordes… tudo vem junto em um momento, como um presente colocado em minha cabeça. É assim que eu ouço.”

Essa capacidade fez muitos compararem seu processo criativo ao de Mozart, que também dizia ouvir suas obras completas mentalmente antes de escrevê-las.

O estúdio testemunhava sua genialidade

Quando chegava ao estúdio, Michael não levava apenas uma ideia. Ele apresentava cada detalhe da música para os músicos e produtores.

O engenheiro de som Rob Hoffman contou que certa manhã Michael apareceu com uma nova composição criada durante a noite. Chamou um guitarrista e começou a cantar, nota por nota, todos os acordes da música. Em seguida, interpretou as melodias, as harmonias, o baixo e até os arranjos de cordas apenas com a voz.

Hoffman recorda que foi uma das apresentações mais impressionantes que já presenciou. Segundo ele, Michael gravava todos esses elementos em um pequeno gravador de microcassete, incluindo pausas, preenchimentos e mudanças de dinâmica.

O julgamento que revelou seu processo criativo

Uma das explicações mais detalhadas sobre a forma como Michael compunha aconteceu durante o processo movido pela compositora Crystal Cartier, que o acusava de plágio na música Dangerous.

Durante o julgamento, Michael foi convidado a demonstrar sua forma de criar músicas. Diante do tribunal, cantou linhas de baixo, harmonias e fez beatbox para explicar como surgiam suas composições.

Ao falar sobre Billie Jean, revelou outro detalhe curioso:

“Vocês estão ouvindo quatro baixos diferentes, cada um com sua própria personalidade. É isso que dá identidade à música.”

Na época, Michael afirmou que costumava trabalhar em cinco músicas ao mesmo tempo, desenvolvendo diferentes ideias simultaneamente.

Beatbox fazia parte da composição

Outro exemplo desse talento aparece durante uma entrevista concedida a Diane Sawyer, em 1995, quando Michael demonstra como criou partes de Tabloid Junkie utilizando apenas beatbox.

Os sons produzidos por sua voz impressionam até hoje pela precisão e riqueza de detalhes, mostrando como Michael utilizava o corpo como uma verdadeira ferramenta de composição.

Um dom que marcou a história da música

A história da música mostra que grandes artistas nem sempre seguiram os métodos tradicionais. Paul McCartney, por exemplo, também construiu uma carreira extraordinária sem saber escrever partituras, enquanto outros músicos criaram formas próprias de registrar suas ideias.

No caso de Michael Jackson, porém, o processo chamava atenção por sua complexidade. Antes que qualquer músico tocasse uma única nota, ele já tinha toda a música pronta em sua mente.

Foi assim que nasceram clássicos como Beat It, Billie Jean, Dangerous e tantos outros sucessos. Um método incomum, mas que ajuda a explicar por que o Rei do Pop criou alguns dos maiores hinos da história da música.