Rodrigo Teaser e os 24 anos da MJ Beats: Credibilidade não se compra. | MJ Beats
Rodrigo Teaser e os 24 anos da MJ Beats: Credibilidade não se compra. | 2026 07 05 23 38 57 Capa Artigo MJ Beats

Rodrigo Teaser e os 24 anos da MJ Beats: Credibilidade não se compra.

Há amizades que atravessam décadas. Existem projetos que sobrevivem ao tempo. E existem comunidades que ajudam a moldar uma geração inteira de fãs.

No aniversário de 24 anos da MJ Beats, conversamos com uma das pessoas que mais acompanharam essa trajetória desde o início: Rodrigo Teaser.

A conversa percorreu lembranças dos tempos da Edcyhis, o ambiente dos fóruns antes das redes sociais, os ataques que enfrentou dentro da própria comunidade de fãs, a histórica Celebration Party de 2005, os bastidores da digitalização de shows raros e o papel que a MJ Beats desempenhou na consolidação de seu trabalho como artista.

O resultado é um verdadeiro retrato de uma época que dificilmente voltará a existir.

“Ali existia um lugar onde todo mundo entendia o que você estava falando”

Antes mesmo de ser conhecida como fórum MJ Beats, a comunidade era lembrada pela “revista digital” Edcyhis (Every Day Create Your HIStory).

Segundo Rodrigo, a maior diferença daquele espaço era simples: finalmente havia pessoas que compartilhavam o mesmo nível de interesse pelos detalhes da carreira de Michael Jackson.

Eu podia falar” Victory Tour”, “LaVelle Smith”, “Travis Payne”, “primeira fase” da turnê, “segunda fase” da turnê… e as pessoas sabiam exatamente do que eu estava falando.

Ele lembra que, antes da internet se popularizar, até mesmo encontros presenciais de fãs reuniam pessoas com interesses muito diferentes.

Na MJ Beats, porém, qualquer assunto encontrava alguém disposto a discutir profundamente.

“Ali tinha tópico para tudo. Eu achei aquilo maravilhoso.”

Antes das redes sociais, as críticas

Rodrigo também relembrou um lado menos agradável daquele período.

Muito antes de Instagram, Facebook ou X (Twitter), ele já convivia diariamente com críticas e ataques pessoais.

Segundo ele, foi justamente dentro da comunidade de fãs que aprendeu a lidar com os chamados “haters“.

Para Rodrigo, existe uma diferença importante entre opinião e tentativa de desqualificar alguém.

Quando alguém diz “para mim”, trata-se apenas de uma percepção pessoal. O problema surge quando essa opinião passa a ser apresentada como verdade absoluta e usada para desmerecer outras pessoas.

Na época, segundo ele, muitas discussões acabavam se transformando em ataques pessoais, o que fazia com que evitasse participar de determinados debates apenas para não alimentar novas polêmicas.

A revelação inédita: Rodrigo quase não participou da Celebration Party de 2005

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi quando Rodrigo revelou um bastidor nunca contado.

Segundo ele, inicialmente não queria subir ao palco durante a histórica Celebration Party, organizada pela MJ Beats em 2005.

O motivo?

O receio da reação de parte do fandom.

Ele conta que temia enfrentar novas críticas por participar do evento.

Foi somente após muita insistência da equipe da MJ Beats e da confirmação de que seu nome seria citado oficialmente no antigo MJJSOURCE, portal ligado ao site oficial de Michael Jackson, que decidiu aceitar.

Na ocasião, Rodrigo optou por utilizar justamente o figurino inspirado na época do julgamento de Michael Jackson.

A escolha também foi alvo de críticas.

Mas, para ele, havia um motivo muito claro: Michael havia sido inocentado, e aquele período também fazia parte da história do artista.

Como fã, não via motivo para esconder esse capítulo.

“Foi uma das festas mais incríveis da minha vida”

Ao recordar aquela noite, Rodrigo não esconde a emoção.

Segundo ele, poucos momentos conseguem traduzir a sensação de estar cercado por centenas de fãs cantando músicas como D.S. em coro.

Ele compara o sentimento ao que muitos torcedores devem sentir quando seu time conquista um grande campeonato.

Para quem viveu aquela época, momentos como esse permanecem impossíveis de esquecer.

A Beats também ajudou na construção do tributo

Durante a entrevista, Rodrigo afirmou que inúmeras informações publicadas ao longo dos anos pela MJ Beats complementaram pesquisas utilizadas em seu trabalho.

Naquela época, muitas notícias circulavam incompletas, baseadas em rumores ou relatos fragmentados.

Segundo ele, a comunidade frequentemente reunia essas peças e ajudava a construir uma visão mais completa dos acontecimentos. Rodrigo afirma que isso acontecia “muito, absurdamente”.

Muito além das notícias: a validação

Talvez o trecho mais emocionante da conversa tenha sido quando Rodrigo explicou o verdadeiro impacto da comunidade em sua vida.

Mesmo convivendo com críticas constantes sobre aparência, idade e seu trabalho como intérprete de Michael Jackson, foi justamente na MJ Beats que encontrou as primeiras pessoas dizendo:

“Isso que você faz é legal.”

“Poxa, vem para minha cidade.”

“Eu iria assistir ao seu show.”

Segundo ele, essa validação mudou completamente sua perspectiva.

Na época, quase todas as participações na televisão tinham como objetivo transformá-lo, junto a nossa equipe, em motivo de piada.

Na Beats aconteceu exatamente o contrário: ali encontrou também pessoas que compreendiam sua paixão por Michael Jackson e enxergavam valor no que fazia.

Bremen, Basel, Buenos Aires: bastidores dos shows raros

Outro momento curioso da entrevista envolveu um assunto que muitos fãs conhecem apenas pelo resultado final.

Rodrigo relembrou sua participação no processo que permitiu à MJ Beats disponibilizar alguns dos shows mais raros de Michael Jackson.

Entre eles estão apresentações históricas como Argentina, Bremen, Oslo e Basel (Basileia).

Segundo ele, muitos fãs ao redor do mundo talvez nem imaginem que conseguem assistir a esses registros graças a um trabalho conjunto realizado anos atrás.

Para Rodrigo, esse é um dos maiores motivos de orgulho de sua trajetória dentro da comunidade.

“A Beats nunca deveria ter saído do ar”

Contexto histórico: vale lembrar que o período mencionado por Rodrigo faz referência ao hiato vivido pela MJ Beats após a morte de Michael Jackson, em 2009. Naquele momento, a equipe chegou a considerar encerrar definitivamente o projeto. Entretanto, os acontecimentos que se seguiram, como o julgamento do médico Conrad Murray, os desdobramentos envolvendo a família Jackson e as primeiras disputas relacionadas ao Espólio de Michael Jackson mostraram que ainda havia muito a ser documentado, investigado e preservado. Foi essa percepção que motivou o retorno da MJ Beats às atividades.

Ao comentar o presente e o futuro da comunidade, Rodrigo foi direto. Na sua visão, a MJ Beats fez bem em repensar sua decisão de acabar e nunca deveria ter deixado um hiato.

Segundo ele, inúmeros criadores de conteúdo que hoje produzem material sobre Michael Jackson tiveram a comunidade como referência.

Para ele, existe um diferencial impossível de ser comprado: Credibilidade.

Para Rodrigo, seguidores, números ou tempo de existência não são suficientes para construir autoridade.

A verdadeira credibilidade nasce da qualidade do trabalho realizado durante anos.

E, em sua opinião, essa credibilidade é confiança continua sendo o maior patrimônio da MJ Beats.

24 anos depois…

Ao final da conversa, Rodrigo ainda se surpreendeu ao descobrir que a MJ Beats completa 24 anos.

Entre risos, resumiu seu sentimento em poucas palavras:

“Maior comunidade em língua portuguesa do planeta.”

Depois de mais de duas décadas preservando a história de Michael Jackson, promovendo eventos, recuperando materiais históricos e reunindo fãs de diferentes gerações, talvez essa seja uma das maiores homenagens que a MJ Beats poderia receber em seu aniversário.

Porque, como o próprio Rodrigo definiu durante a entrevista, credibilidade não se compra. Ela é construída.