A Sony Music ampliou significativamente sua batalha judicial contra a plataforma de inteligência artificial Udio, acrescentando mais de 30 mil gravações protegidas por direitos autorais ao processo. Entre elas, estão obras do catálogo de Michael Jackson.
O caso, que começou em 2024 com uma ação conjunta entre Sony Music, Universal Music Group e Warner Music, ganhou uma nova dimensão em julho de 2026. A nova ação, apresentada em um tribunal federal de Manhattan, passou de 333 gravações para 30.117 registros protegidos.
Segundo a Sony, essa lista representa apenas uma parte do material identificado durante a análise dos dados utilizados para treinar a inteligência artificial da Udio.
A gravadora afirma ter utilizado tecnologia de impressão digital de áudio (audio fingerprinting) para identificar músicas de seu catálogo, incluindo as de Michael Jackson, que teriam sido usadas sem autorização para treinar o sistema de IA.
Além disso, a empresa acusa a plataforma de obter parte dessas gravações por meio de stream-ripping, técnica utilizada para copiar músicas diretamente do YouTube contornando os mecanismos de proteção da plataforma. Se essa alegação for confirmada pela Justiça, a Udio poderá responder também por violações da Digital Millennium Copyright Act (DMCA), legislação americana de direitos autorais.
A Sony pede uma indenização de até US$ 150 mil por cada gravação utilizada, valor que pode levar o processo a cifras bilionárias.
O que isso pode mudar para os fãs de Michael Jackson?
Apesar da repercussão, o processo não é contra os fãs que utilizam inteligência artificial para criar músicas ou versões com a voz de Michael Jackson.
O foco da ação está na forma como as empresas treinam seus modelos de IA utilizando obras protegidas por direitos autorais, e não nos usuários finais.
Mesmo assim, a decisão da Justiça poderá influenciar diretamente o futuro dessas ferramentas.
Caso a Sony vença a disputa e fique estabelecido que plataformas de IA precisam de autorização para utilizar gravações protegidas no treinamento de seus sistemas, algumas mudanças poderão acontecer:
Menos plataformas oferecendo modelos baseados na voz de Michael Jackson sem licença oficial.
Remoção de modelos relacionados ao artista em alguns serviços já existentes.
Possível aumento no custo das assinaturas, caso as empresas precisem pagar licenças para utilizar catálogos musicais.
Surgimento de ferramentas oficiais licenciadas, desenvolvidas em parceria com gravadoras e detentores dos direitos.
Por outro lado, se os tribunais entenderem que o treinamento de IA com músicas protegidas se enquadra no conceito de uso justo (fair use) previsto na legislação americana, grande parte dessas plataformas poderá continuar funcionando da forma atual.
Também é importante destacar que o treinamento da inteligência artificial e a distribuição de músicas criadas por IA são questões jurídicas diferentes. Mesmo que uma plataforma seja considerada legal, a publicação de canções que imitem a voz de um artista ou reproduzam elementos protegidos ainda poderá gerar discussões envolvendo direitos autorais, direitos de imagem e outras leis, dependendo do país.
Por enquanto, nenhuma decisão definitiva foi tomada, e a Udio não foi considerada culpada. Ainda assim, pelo fato de Michael Jackson estar entre os artistas citados no processo, esta já é considerada uma das disputas judiciais mais importantes da história envolvendo música e inteligência artificial, com potencial para definir como esse mercado funcionará nos próximos anos.




