"Thriller" e a História da Campanha de Michael para o Oscar | MJ Beats
"Thriller" e a História da Campanha de Michael para o Oscar | Thriller Halloween 2025 MJ BEATS

“Thriller” e a História da Campanha de Michael para o Oscar

Em 1983, Michael Jackson levou Thriller aos cinemas de Los Angeles para se qualificar ao Oscar. O plano era ousado — e décadas depois, provou que ele estava certo.

Michael Jackson realmente exibiu Thriller nos cinemas em 1983 para tentar um Oscar?
A resposta é sim – e a forma como isso aconteceu revela uma visão que estava décadas à frente de seu tempo.

O Curta que Não Era um “Videoclipe”

Para entender a campanha, é preciso apagar o termo “videoclipe” da mente.
Na cabeça de Michael Jackson e do diretor John Landis, Thriller nunca foi um clipe — era um curta-metragem cinematográfico desde o primeiro dia.

Quando Michael ligou para Landis, não foi por ele ser um diretor de vídeos, mas porque Michael adorava seu filme de terror, Um Lobisomem Americano em Londres. Ele queria se transformar em um monstro — literalmente — e contratou uma equipe de cinema, incluindo o lendário maquiador Rick Baker, vencedor do Oscar.

O projeto foi filmado em 35mm, com um orçamento de cerca de US$ 500 mil – tão alto que a gravadora se recusou a pagar. A saída encontrada foi vender antecipadamente os direitos do documentário The Making of Michael Jackson’s Thriller, que ajudou a financiar o curta.

Desde o início, o plano era o cinema. O Oscar não foi uma ideia de última hora: era o objetivo.

A Estreia em Hollywood

A campanha não começou na MTV, mas em Los Angeles, no histórico Crest Theater.
Em 14 de novembro de 1983, Thriller teve uma estreia privada com convidados que formavam a elite de Hollywood: Diana Ross, Warren Beatty, Prince e Eddie Murphy estavam entre os presentes.

A reação foi explosiva. Após os 14 minutos, o público levantou-se em aplausos, e Eddie Murphy teria gritado:

“Mostrem essa po**a de novo!”

E eles mostraram. O burburinho dentro da indústria estava lançado.

A Prova Oficial: Exibição de Qualificação

Mas o evento do Crest não bastava. Pelas regras da Academia, um curta precisava ter uma semana de exibição pública em um cinema do condado de Los Angeles para se qualificar.

Em dezembro de 1983, Landis e a equipe de Michael organizaram exatamente isso. Anúncios no Los Angeles Times promoviam Michael Jackson’s Thriller no Avco Cinema Center, afirmando claramente que a exibição era “para consideração ao Oscar”.

Membros da Academia tinham entrada gratuita, e o curta foi exibido junto a um longa: o clássico da Disney Fantasia (1940) — uma escolha brilhante, conectando Thriller à tradição de curtas musicais inovadores da Disney, especialmente ao sombrio segmento Uma Noite no Monte Calvo.

O Esnobe e a Confusão

Apesar de cumprir todas as exigências, Thriller não recebeu indicação ao 56º Oscar, na categoria Melhor Curta-Metragem de Ação ao Vivo.

Por quê?

Porque, em 1984, a Academia ainda não via videoclipes como cinema, mas como “anúncios” da MTV. E somado a isso, o Oscar tem histórico de ignorar o gênero terror. Um curta de terror estrelado por uma estrela pop? Culturalmente incompreensível para a velha Hollywood.

Muitos confundem essa campanha com dois eventos posteriores:

A segunda tentativa: em 1984, o documentário The Making of Michael Jackson’s Thriller também foi submetido ao Oscar (provavelmente como Melhor Documentário de Curta-Metragem), mas não foi indicado.

A vitória real: o mesmo documentário venceu o Grammy em 1985, na categoria Melhor Álbum de Vídeo – a consagração que ficou na memória coletiva.


A Validação Final

Michael foi ignorado duas vezes pela Academia — mas o tempo o vingou.
Em 2009, Michael Jackson’s Thriller tornou-se o primeiro e único videoclipe a ser incluído no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso dos EUA, reconhecido como “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo”.

Michael não precisava de um Oscar para validar sua arte.
A verdade é que foi o Oscar que perdeu a chance de validar a si mesmo.