Trilha sonora de MICHAEL é considerada inelegível ao Grammy; entenda o motivo | MJ Beats
Trilha sonora de MICHAEL é considerada inelegível ao Grammy; entenda o motivo | Trilha sonora do filme MICHAEL mjbeats.com .br

Trilha sonora de MICHAEL é considerada inelegível ao Grammy; entenda o motivo

A cinebiografia MICHAEL entrou para a história ao ultrapassar US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, tornando-se a cinebiografia de maior arrecadação de todos os tempos. O sucesso nos cinemas também impulsionou a trilha sonora nas plataformas de streaming e nas paradas musicais, levando muitos fãs a acreditar que o álbum seria um dos favoritos ao próximo Grammy Awards.

No entanto, existe um detalhe pouco conhecido que impede essa possibilidade. Apesar do enorme desempenho comercial, Michael: Songs From The Motion Picture não pode disputar a categoria de Melhor Trilha Sonora de Compilação para Mídia Visual.

O motivo não está relacionado à qualidade do álbum, às críticas recebidas ou ao número de reproduções. A explicação está nas regras da Recording Academy, organizadora do Grammy.

A regra que deixou MICHAEL fora da disputa

Embora Michael Jackson tenha conquistado 13 prêmios Grammy ao longo da carreira, sua mais recente trilha sonora não atende aos critérios atuais da premiação.

Segundo o regulamento da Recording Academy, trilhas sonoras de cinebiografias musicais ou documentários precisam apresentar pelo menos 50% de músicas inéditas, regravadas ou remixadas para serem elegíveis nessa categoria.

A trilha oficial de MICHAEL segue outro caminho.

Apesar de Jaafar Jackson interpretar o Rei do Pop no filme e ter recebido elogios por sua atuação, o álbum disponibilizado nas plataformas digitais utiliza as gravações originais de Michael Jackson, e não versões cantadas pelo ator ou novas releituras das músicas.

Essa escolha preservou a voz original de Michael, mas acabou tornando o projeto incompatível com as regras atuais do Grammy.

Outros sucessos também enfrentaram o mesmo problema

A situação de MICHAEL não é inédita.

Antes de a produção superar todos os recordes de bilheteria do gênero, Bohemian Rhapsody ocupava o posto de cinebiografia musical mais lucrativa da história. Mesmo com enorme sucesso mundial, sua trilha sonora também ficou de fora da disputa pelo Grammy.

O motivo foi praticamente o mesmo: o álbum utilizava majoritariamente os vocais originais de Freddie Mercury. Embora Rami Malek tenha gravado algumas cenas cantando durante as filmagens, essas versões não foram incluídas na trilha oficial.

Curiosamente, essa exigência é relativamente recente. Antes de 2018, trilhas baseadas em gravações originais podiam concorrer normalmente ao prêmio. Produções como Ray, Get On Up, Miles Ahead e Straight Outta Compton receberam indicações, e algumas chegaram até a vencer a categoria.

Após esses resultados, a Recording Academy atualizou o regulamento e passou a exigir que a maior parte da trilha sonora fosse composta por material recém-gravado.

Por isso, cinebiografias mais recentes adotaram outra estratégia. Filmes como Rocketman, Respect, Walk the Line, The United States vs. Billie Holiday e A Complete Unknown utilizaram interpretações feitas pelos próprios atores principais. Já Elvis combinou gravações originais com remixes e novas produções inspiradas no filme, atendendo aos critérios exigidos.

Se os produtores de MICHAEL tivessem lançado uma trilha baseada nas interpretações de Jaafar Jackson ou em novas versões das músicas, o álbum provavelmente estaria entre os principais candidatos ao prêmio.

Mesmo sem disputar o Grammy, o resultado alcançado pela produção permanece histórico. A cinebiografia apresentou a obra de Michael Jackson a uma nova geração, impulsionou novamente seu catálogo musical e ajudou a consolidar o filme como a cinebiografia de maior bilheteria da história, superando Bohemian Rhapsody e ultrapassando até mesmo Oppenheimer em arrecadação mundial.

No fim das contas, um troféu pode deixar de ser conquistado por causa de uma regra técnica. Já um recorde histórico permanece para sempre.