Michael Jackson: De garoto prodígio a superstar em Off The Wall | MJ Beats
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Michael Jackson: De garoto prodígio a superstar em Off The Wall

47 anos, Michael Jackson iniciava uma das transformações mais importantes de sua carreira. “Off the Wall”, lançado em 10 de agosto de 1979, foi seu primeiro grande álbum solo na fase adulta pela Epic Records e marcou o momento em que o cantor começou a construir, de forma definitiva, sua própria identidade artística.

Aos 20 anos, Michael já não era apenas o garoto prodígio que havia conquistado o mundo com os Jackson 5. Com maior liberdade criativa e a parceria do produtor Quincy Jones, ele mostrou que poderia comandar uma carreira solo de enorme alcance. A parceria entre os dois ainda renderia outros dois álbuns históricos e ajudaria a definir os rumos da música pop nos anos 1980.

O encontro que mudou a carreira de Michael

Michael conheceu Quincy Jones durante as gravações de “The Wiz”, musical inspirado em “O Mágico de Oz”, estrelado por Diana Ross. Quincy era responsável pela trilha sonora e, durante uma conversa, Michael perguntou se ele poderia indicar alguém para ajudá-lo na produção de seu novo álbum.

Quincy se ofereceu para assumir a produção. A escolha, porém, não foi imediatamente aceita pelos executivos da gravadora. Apesar de sua enorme experiência com grandes nomes do jazz, como Ray Charles, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald, havia dúvidas sobre sua capacidade de produzir um álbum voltado ao público jovem, em uma época dominada pela disco music e pelo funk.

A gravadora chegou a sugerir Maurice White, líder do Earth, Wind & Fire. No fim, Michael conseguiu trabalhar com Quincy, uma decisão que mudaria para sempre sua trajetória.

Da pista de dança para a história

Antes de “Off the Wall”, Michael já havia dado um importante passo em direção à independência artística com “Destiny”, álbum dos Jacksons lançado em 1978. O trabalho ajudou os irmãos a conquistarem maior controle sobre sua música e trouxe o sucesso “Shake Your Body (Down to the Ground)”, preparando o caminho para a nova fase de Michael.

Michael também era frequentador do Studio 54, famosa casa noturna de Manhattan. Ali, entrou em contato direto com as tendências musicais que dominavam as pistas e absorveu referências que ajudariam a construir a sonoridade de seu primeiro grande álbum solo adulto.

Das dez faixas de “Off the Wall”, três foram compostas pelo próprio Michael: “Don’t Stop ’Til You Get Enough”, “Working Day and Night” e “Get on the Floor”. O álbum também trouxe “Rock with You”, de Rod Temperton, que destacou a qualidade vocal de Michael, e “She’s Out of My Life”, de Tom Bahler, onde ele revelou um lado mais vulnerável e dramático.

Na faixa “Burn This Disco Out”, Michael encerra o álbum em plena era de rejeição à disco music. O gênero passou a ser atacado por parte da crítica e associado, de maneira preconceituosa, à música puramente comercial, às drogas e ao público LGBTQ+. Em um dos episódios mais conhecidos desse movimento, grupos de extrema direita chegaram a promover queimas de discos em estádios.

Enquanto a disco music enfrentava uma forte reação, Michael encerrava a década de 1970 com um álbum que resistiria ao tempo. “Off the Wall” atravessou décadas e continuou sendo reconhecido como uma referência para diferentes gerações de artistas.

O álbum vendeu cerca de 36 milhões de cópias e rendeu a Michael seu primeiro Grammy como artista solo, em 1980, na categoria de Melhor Performance Vocal Masculina de R&B, por “Don’t Stop ’Til You Get Enough”.

Mais do que um sucesso comercial, “Off the Wall” representou uma mudança de status. Michael Jackson deixou de ser visto apenas como uma antiga estrela infantil e passou a ser reconhecido como um dos grandes artistas de sua geração. O Rei do Pop ainda estava por vir, mas, aos 20 anos, Michael já havia dado o primeiro grande passo em direção ao trono.