Poucos mistérios na história dos videogames despertaram tanta curiosidade quanto a possível participação de Michael Jackson na trilha sonora de Sonic the Hedgehog 3. Durante anos, fãs ouviram semelhanças entre as músicas do jogo e trabalhos do Rei do Pop, mas não havia uma confirmação clara. O assunto parecia destinado a permanecer no território das teorias até que declarações de pessoas que participaram do projeto começaram a mudar essa história.
Michael já tinha uma relação próxima com a SEGA. Ele havia participado do desenvolvimento de Moonwalker e era conhecido por seu interesse por videogames. Em 1993, a SEGA teria recorrido a ele para trabalhar na trilha de Sonic 3, lançado para Mega Drive em 1994. Michael, por sua vez, chamou seu diretor musical e tecladista, Brad Buxer, para ajudá-lo no projeto.
Anos depois, Buxer confirmou que ele e Michael realmente trabalharam em músicas destinadas ao jogo. Em uma entrevista que voltou a ganhar atenção, ele explicou que Michael dizia à SEGA que faria o trabalho e depois recorria a ele para desenvolver boa parte das ideias. Segundo Buxer, sua equipe chegou a produzir 41 faixas ou ideias musicais relacionadas ao projeto, embora apenas uma pequena parte tenha sido trabalhada diretamente com Michael.

E foi justamente durante esse período que surgiu uma das histórias mais fascinantes da carreira de Jackson.
De Sonic 3 a “Stranger in Moscow”
Segundo Buxer, Michael ligou para ele certa manhã e pediu que levasse suas gravações. Em vez de simplesmente ouvir as músicas preparadas para Sonic 3, Michael pediu que Buxer tocasse outra coisa. Ele começou a apresentar uma ideia que tinha levado consigo e, a partir daquele momento, os dois começaram a desenvolver uma nova composição.
O resultado foi “Stranger in Moscow”, lançada posteriormente no álbum HIStory. Buxer afirmou que a música foi desenvolvida em aproximadamente uma hora e meia, depois que Michael ouviu sua ideia inicial e gostou do caminho que ela estava tomando.
A conexão fica ainda mais curiosa quando se escuta a música dos créditos finais de Sonic 3. Ela apresenta uma forte semelhança com a estrutura que posteriormente apareceria em “Stranger in Moscow”, algo que há décadas chama a atenção dos fãs.
Mas essa não é a única ligação.
A Carnival Night Zone apresenta elementos que lembram “Jam”, faixa do álbum Dangerous. Já Ice Cap Zone está ligada a “Hard Times”, uma composição anterior da banda The Jetzons, da qual Brad Buxer fazia parte. Portanto, nem todas as semelhanças devem ser atribuídas diretamente a Michael Jackson. Parte desse material vinha do próprio repertório e das experiências musicais de Buxer e de outros colaboradores.
E então surge a pergunta que alimentou o mistério por décadas: por que Michael Jackson não aparece nos créditos de Sonic 3?
Uma das explicações apresentadas por Buxer é que Michael não estava satisfeito com a forma como sua música soava no hardware do Mega Drive e não queria ter seu nome associado a uma versão que, para ele, não reproduzia adequadamente a qualidade de seu trabalho.
Ainda assim, existem outras versões e controvérsias sobre o assunto. Pessoas ligadas à SEGA apresentaram relatos diferentes sobre a participação de Jackson, e a empresa nunca estabeleceu publicamente uma versão definitiva de toda a história. Por isso, é importante separar aquilo que foi confirmado por colaboradores de Michael daquilo que continua sendo interpretação dos fãs.
O que parece cada vez mais difícil de negar é que Michael Jackson esteve envolvido no processo musical de Sonic 3, mesmo sem receber crédito oficial. E talvez essa seja justamente a parte mais fascinante da história: enquanto milhões de jogadores aceleravam pelas fases de Sonic, uma parte da genialidade musical do Rei do Pop podia estar ali, escondida em meio aos sons de um dos videogames mais famosos dos anos 1990.




