Os desafios da seleção de músicas para o álbum Dangerous | MJ Beats
Os desafios da seleção de músicas para o álbum Dangerous | Michael Jackson Thriller 1

Os desafios da seleção de músicas para o álbum Dangerous

O período de criação de Dangerous marcou uma das fases mais intensas e produtivas da carreira de Michael Jackson. Além de representar seu primeiro álbum sem a parceria de Quincy Jones, o projeto abriu espaço para uma nova equipe de produtores e músicos, que rapidamente descobriram um dos maiores diferenciais do artista: sua extraordinária memória musical.

Durante as gravações, Michael era capaz de interpretar uma mesma canção de dezenas de maneiras diferentes. O mais impressionante era que, semanas depois, lembrava exatamente quais versões considerava melhores. Não era raro citar, por exemplo, que as tomadas de número 6 e 27 eram as que mais se aproximavam daquilo que imaginava para o álbum.

Essa precisão ajudava a conduzir um processo criativo extremamente detalhado, no qual nenhuma decisão era tomada por acaso.

Um álbum repleto de possibilidades

As sessões de gravação renderam dezenas de demos, tornando Dangerous um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira. Algumas dessas músicas seriam reaproveitadas anos depois, como Earth Song, They Don’t Care About Us e Blood On The Dance Floor. Outras apareceram como faixas bônus, como Monkey Business, foram lançadas em projetos póstumos, caso de Slave To The Rhythm, em relançamentos, como For All Time, ou simplesmente permaneceram arquivadas, como Men In Black.

Com tanto material disponível, Michael chegou a considerar lançar Dangerous como um álbum duplo. Porém, a gravadora preferia concentrar todo o projeto em um único CD, que, na época, comportava aproximadamente 74 minutos de duração.

Esse detalhe deu início a semanas de reuniões e ajustes. Michael frequentemente entregava uma nova lista com suas escolhas definitivas, mas o tempo total quase sempre ultrapassava o limite permitido. A cada revisão, era necessário decidir quais músicas permaneceriam e quais ficariam de fora.

Ao seu lado estava Bruce Swedien, lendário engenheiro de som que permaneceu trabalhando com Michael após o fim da parceria com Quincy Jones. Além de acompanhar todas as gravações, Swedien participou do processo de organização da tracklist, ajudando o Rei do Pop a transformar dezenas de ideias em um álbum coeso.

O vídeo abaixo registra um desses momentos. Nele, Michael Jackson e Bruce Swedien aparecem reunidos em estúdio enquanto cartões espalhados sobre uma mesa chamam a atenção. Neles estavam anotados os títulos das músicas que estavam sendo avaliadas para integrar Dangerous

O álbum que redefiniu os anos 90

Lançado em novembro de 1991, Dangerous tornou-se um fenômeno mundial e ultrapassou a marca de 47 milhões de cópias vendidas, consolidando-se como um dos maiores sucessos da carreira de Michael Jackson.

O primeiro single, Black or White, devolveu o artista ao topo das paradas internacionais. A música chamou atenção não apenas por sua mensagem, que respondia aos constantes questionamentos sobre a mudança na cor de sua pele, consequência do vitiligo, mas também pelo revolucionário videoclipe.

A produção apresentou ao grande público a tecnologia de morphing, um efeito inovador de computação gráfica para a época. Estima-se que cerca de 500 milhões de pessoas assistiram ao lançamento do clipe em todo o mundo. No Brasil, a estreia aconteceu no programa Fantástico, da TV Globo.

O sucesso de Dangerous continuou com uma sequência de grandes singles, entre eles Remember The Time, In The Closet, Jam, Give In To Me, com participação de Slash, Will You Be There, tema do filme Free Willy, e Heal The World, uma das canções mais marcantes da mensagem humanitária de Michael Jackson.

Mais do que um enorme sucesso comercial, Dangerous representou um novo capítulo na carreira do Rei do Pop. O álbum mostrou que, mesmo iniciando uma fase sem Quincy Jones, Michael continuava disposto a experimentar novas sonoridades, aperfeiçoar cada detalhe e transformar um extenso acervo de ideias em uma obra que permanece influente mais de três décadas depois.