No início dos anos 1990, Michael Jackson e o diretor David Fincher se encontraram para desenvolver um dos projetos mais curiosos ligados ao álbum Dangerous. A colaboração reunia duas visões artísticas muito fortes e tinha potencial para criar um curta diferente de tudo o que o Rei do Pop havia apresentado até então.
Na época, Fincher já havia dirigido Alien 3 e trabalhava em uma fase de consolidação de seu estilo cinematográfico. Para reforçar a identidade visual da produção, levou para o projeto o diretor de fotografia Jordan Cronenweth, conhecido pelo trabalho em Blade Runner.
A proposta seguia uma direção bastante diferente da imagem tradicional de Michael. Em vez de cores intensas, figurinos chamativos e uma produção grandiosa, Fincher buscou uma estética mais sóbria, escura e contida.
Michael aparecia com roupas mais simples, mantendo apenas alguns elementos característicos de seu visual, como as meias que ajudavam a destacar seus movimentos durante a dança.


Um projeto marcado por diferenças criativas
A produção, porém, acabou enfrentando dificuldades. A abordagem de David Fincher, marcada por diversas refilmagens e mudanças durante o processo, entrou em conflito com a visão de Michael Jackson. O Rei do Pop teria passado longos períodos esperando nos bastidores para filmar, além de cancelar ensaios em meio à preparação para a Dangerous World Tour, que começaria apenas duas semanas depois. Diante do desgaste e da insatisfação com o andamento do projeto, Michael deixou as filmagens e não retornou ao set.
A produção acabou sendo concluída com a participação de um sósia de Michael, detalhe que aumentou ainda mais a curiosidade em torno do curta.
O trabalho chegou a ser exibido pela BBC2, no Reino Unido, mas não teve uma exibição televisiva nos Estados Unidos como era esperado. O single foi lançado em março de 1993, enquanto o curta permaneceu cercado por dúvidas e controvérsias.
Mais do que uma simples produção musical, o projeto se tornou um registro de um encontro entre dois artistas extremamente perfeccionistas. Michael Jackson buscava controlar cada detalhe de sua obra, enquanto David Fincher defendia uma linguagem cinematográfica própria. O resultado foi um dos capítulos mais incomuns da Era Dangerous.




