Em 1983, Pepsi assinou um acordo de US$ 5 milhões com Michael Jackson e seus irmãos, em uma parceria que ajudaria a transformar a relação entre grandes marcas e estrelas da música. O contrato incluía os comerciais e o patrocínio da turnê que reuniria os irmãos Jackson no ano seguinte.
A escolha fazia sentido. Michael acabara de transformar Thriller em um fenômeno mundial e já era um dos maiores nomes da cultura pop. Para a Pepsi, associar sua imagem ao artista significava aproximar a marca de uma geração jovem que consumia música, televisão e cultura pop de uma maneira cada vez mais intensa.
O resultado foi a campanha “The Choice of a New Generation”, lançada em 1984. Nos comerciais, Michael e os irmãos aparecem ao som de uma nova versão de “Billie Jean”, com a letra adaptada para a campanha da Pepsi.
O comercial que quase terminou em tragédia
Mas a história dessa parceria ganhou um capítulo inesperado durante as filmagens. Em 27 de janeiro de 1984, no Shrine Auditorium, em Los Angeles, efeitos pirotécnicos foram acionados antes do momento previsto e fizeram o cabelo de Michael pegar fogo. O cantor sofreu queimaduras e precisou ser levado ao hospital.
O acidente aconteceu justamente durante uma gravação que recriava uma apresentação ao vivo. Michael continuou o movimento por alguns instantes antes que a equipe percebesse o que estava acontecendo. As imagens posteriormente se tornariam inseparáveis da história da parceria entre o Rei do Pop e a Pepsi.
Os dois comerciais foram lançados com enorme expectativa, incluindo uma estreia ligada à transmissão dos Grammy Awards, noite em que Michael conquistaria oito prêmios. A campanha ajudou a consolidar a ideia de que uma parceria entre uma estrela da música e uma grande marca poderia funcionar praticamente como um evento cultural, e não apenas como publicidade.
E talvez seja justamente por isso que, décadas depois, aquela parceria continue tão lembrada. Michael não apareceu simplesmente em um comercial da Pepsi. Ele levou para a publicidade a linguagem dos videoclipes, sua dança, sua imagem e o impacto de sua música. A partir dali, a fronteira entre música, entretenimento e publicidade ficou ainda mais difícil de separar.




