O relacionamento entre Michael Jackson e seus irmãos já estava desgastado desde a época de Off the Wall. Quando Thriller começou a quebrar recordes, a distância entre Michael e o grupo ficou ainda maior.
Foi nesse cenário que Katherine Jackson convenceu o filho mais famoso a ajudar os irmãos em uma última grande reunião. A ideia de uma turnê mundial, que acabaria se tornando a Victory Tour, começou a ganhar forma. Nos bastidores, porém, surgiram disputas de poder que contribuíram para a saída de Michael de seu empresário, Ron Weisner.
No início de 1983, Michael estava cada vez mais envolvido em sua carreira solo e precisaria tomar decisões importantes praticamente por conta própria. Ao mesmo tempo, os Jacksons começavam a preparar o que seria o único álbum oficialmente gravado pelos seis irmãos juntos.
O álbum Victory
O lançamento do novo álbum dos Jacksons foi adiado algumas vezes enquanto Thriller dominava o mercado. Finalmente, Victory chegou às lojas em 2 de julho de 1984, pela Epic Records. As gravações haviam acontecido entre novembro de 1983 e maio de 1984.
Michael deixou claro desde o começo que não pretendia se envolver no projeto familiar da mesma maneira que havia feito anteriormente. Ainda assim, sua presença era inevitável. O álbum reunia Jackie, Tito, Jermaine, Marlon, Michael e Randy Jackson, algo que nunca havia acontecido em um álbum oficial do grupo.
O título Victory veio de uma composição de Michael que havia sido trabalhada originalmente com Freddie Mercury, do Queen. Michael e Mercury chegaram a gravar outras músicas juntos, incluindo versões de State of Shock e There Must Be More to Life Than This, mas essas gravações não foram concluídas para o projeto dos Jacksons. Posteriormente, State of Shock ganhou uma nova versão com Mick Jagger e entrou no álbum.
A produção de Victory acabou refletindo a própria situação da família. Cada irmão teve espaço para participar do projeto, com diferentes créditos de composição e produção. O resultado foi um álbum com oito faixas, incluindo Torture, Wait, One More Chance, Be Not Always, State of Shock, We Can Change the World, The Hurt e Body.
Michael, entretanto, queria manter sua imagem em segundo plano. Ele chegou a pedir que sua presença na capa fosse discreta e não participou dos videoclipes planejados para os singles. Curiosamente, durante a Victory Tour, nenhuma música do álbum foi apresentada no palco. O repertório era dominado pelos grandes sucessos dos Jacksons e, principalmente, pelos fenômenos da carreira solo de Michael.
Mesmo com todas essas particularidades, Victory foi um sucesso comercial. O álbum chegou ao 4º lugar da Billboard 200 e recebeu certificação de 2× platina nos Estados Unidos em outubro de 1984.
Mas havia uma diferença enorme entre Victory e Thriller. Michael já havia atingido um nível de sucesso praticamente impossível de acompanhar. Victory vendeu milhões de cópias e se tornou um importante capítulo na história dos Jacksons, mas também marcou o encerramento da trajetória de Michael como integrante regular do grupo. Pouco depois da turnê, Michael e Marlon deixariam os Jacksons para seguir suas carreiras solo.
No fim, Victory não foi apenas um álbum. Foi a última reunião oficial dos seis irmãos Jackson em um disco e o ponto de encontro entre uma família tentando permanecer unida e um Michael Jackson que já havia começado a construir uma carreira muito maior do que qualquer grupo poderia conter.




