Em meados de 2008, o mundo da música se preparava para celebrar o meio século de vida de Michael Jackson. Para marcar os 50 anos do artista, a Sony BMG arquitetou uma campanha global inédita: cada país montaria a sua própria coletânea através do voto popular. No Brasil, o disco chegou às lojas exatamente em 17 de outubro de 2008 – há exatos 18 anos – carregando um bastidor histórico que envolveu diretamente a nossa comunidade, escolhas de repertório pra lá de curiosas e uma festa oficial em Copacabana.
A história da King of Pop – Brazilian Collection começou meses antes de o CD ganhar as prateleiras. Em 18 de julho de 2008, a equipe de Marketing Estratégico da Sony BMG e da divisão Day 1 Entertainment, no Rio de Janeiro, entrou em contato conosco em primeira mão. A missão era clara: mobilizar a base de fãs no Brasil para fazer a votação decolar a partir de 1º de agosto.
Na esteira da parceria que já havíamos firmado com a gravadora em fevereiro daquele ano para promover o Thriller 25, unimos forças novamente – desta vez em uma frente tripla com a Sony BMG e a Som Livre.
O impacto mais visível dessa colaboração está registrado diretamente na capa do álbum. Todas as edições mundiais de King of Pop traziam exatamente a mesma imagem central: um registro dos bastidores do curta-metragem Black or White, em que Michael aparece apontando para a sua direita, aplicada na maioria dos países sobre um fundo vermelho – caso do Brasil – ou, em algumas variações, fundo branco. Porém, enquanto as prensagens internacionais seguiam um padrão rígido apenas com a tipografia da edição local, a tiragem brasileira ganhou um charme único. Por sugestão e interferência direta da gente junto à gravadora, a arte nacional incluiu a bandeira do Brasil estampada ao lado do título Brazilian Collection.

Mas se a capa ostentava a nossa bandeira, a lista de faixas guardou uma das maiores ironias da discografia nacional do Rei do Pop.
Durante todo o mês de agosto de 2008, o portal da Som Livre disponibilizou um catálogo de 118 músicas para que o público escolhesse suas 14 favoritas. Quando o resultado final saiu, veio a surpresa: They Don’t Care About Us ficou de fora. A música que parou o Pelourinho e o Morro Dona Marta em 1996, transformando-se em um verdadeiro segundo hino nacional, simplesmente não entrou na coletânea brasileira – embora tenha sido eleita pelos fãs da Alemanha, Reino Unido, Áustria, Suécia e Japão.
Outro peso-pesado que inexplicavelmente sobrou no corte foi Smooth Criminal. A explicação para esse fenômeno mora na própria mecânica da votação. Como a enquete foi hospedada no site da Som Livre, com chamadas pesadas na grade da TV Globo, o voto do telespectador casual acabou diluindo a força dos fãs mais assíduos. O público geral votou com a memória afetiva das trilhas de novela e das rádios adultas, garantindo vaga para baladas como You Are Not Alone, Human Nature, Will You Be There e até o dueto oitentista Say Say Say, com Paul McCartney.
Para fechar as 16 faixas do disco, a gravadora deixou de lado o Thriller Megamix – bônus padrão no resto do mundo – e reciclou dois remixes do Thriller 25 com Akon e Will.i.am.
O lançamento oficial não passou em branco. No sábado, 18 de outubro de 2008, um dia após o álbum chegar às lojas, a Sony BMG e a Som Livre promoveram a festa oficial de lançamento no Rio de Janeiro. O palco escolhido foi a lendária boate Le Boy, no Posto 6 em Copacabana, reduto tradicional que já acolhia as edições da Fan Party. A noite contou com distribuição de CDs, DVDs e camisetas oficiais da gravadora, coroada por uma performance especial de Rodrigo Teaser celebrando a chegada do disco.
Dezoito anos depois, olhar para aquele CD vermelho com a nossa bandeira na estante é revisitar um tempo em que os fãs brasileiros não apenas compravam discos, mas ajudavam a deixar sua marca neles ao lado da indústria. Mesmo sem as batidas marcantes de They Don’t Care About Us, a Brazilian Collection segue como um troféu da força da nossa comunidade.




