O DOSSIÊ SNEDDON — Parte XI: Gavin Arvizo e a investigação do DCFS | MJ Beats
O acusador Gavin Arvizo e Michael Jackson em cena de "Living with Michael Jackson", de Martin Bashir

O DOSSIÊ SNEDDON — Parte XI: Gavin Arvizo e a investigação do DCFS

Após a exibição do documentário Living with Michael Jackson em fevereiro de 2003, a atenção do público e das autoridades voltou-se para a figura do jovem que aparecia ao lado do cantor segurando sua mão: Gavin Arvizo. Para compreender o desdobramento judicial que levaria ao julgamento de 2005, é fundamental analisar as origens da relação da família Arvizo com o artista e a primeira apuração conduzida pelas autoridades de proteção à infância.

A História de Gavin e a Aproximação com Neverland

Gavin Arvizo e sua família aproximaram-se de Michael Jackson no primeiro semestre de 2000, quando o garoto, então com 10 anos de idade, enfrentava um estágio avançado de câncer (linfoma de Hodgkin). Sensibilizado pela gravidade do diagnóstico e acionado por voluntários de apoio a crianças em tratamento intensivo, Jackson ofereceu assistência para cobrir custos médicos e abriu as portas do Rancho Neverland para que o menino e seus irmãos permanecessem na propriedade durante as etapas de quimioterapia.

Nos anos seguintes, com a regressão da doença, os irmãos Arvizo mantiveram visitas frequentes ao rancho, desenvolvendo um convívio próximo com o cantor e seus colaboradores.

A Investigação do Departamento de Serviços Infantis (DCFS)

Diante do alarde provocado pelas declarações e imagens exibidas no documentário de Martin Bashir, o Departamento de Serviços Infantis e da Família de Los Angeles (DCFS), em conjunto com a Divisão de Crimes Sexuais da Polícia de Los Angeles (LAPD), abriu um inquérito de ofício no final de fevereiro de 2003 para avaliar a integridade física e moral dos menores citados no programa.

Como parte do procedimento padrão, assistentes sociais e investigadores entrevistaram Gavin Arvizo, seu irmão Star, sua mãe Janet Arvizo e especialistas médicos. Durante as oitivas oficiais registradas em áudio e vídeo no mês de fevereiro de 2003, tanto o garoto quanto seus familiares negaram categoricamente qualquer conduta inadequada, abuso ou abordagem imprópria por parte de Michael Jackson.

O Relatório de Arquivamento Original

Em março de 2003, o DCFS concluiu formalmente o relatório de investigação. O documento técnico registrou que as alegações de risco ou conduta criminosa eram “infundadas” (unfounded), encerrando o caso administrativamente sem recomendar qualquer medida preventiva ou encaminhamento de denúncia ao Ministério Público.

Apesar do parecer conclusivo das autoridades de proteção infantil de Los Angeles, a mãe do garoto, Janet Arvizo, buscou a orientação de advogados civis poucas semanas depois, alterando a versão originalmente apresentada ao DCFS. A mudança repentina de postura e o histórico do inquérito arquivado de março de 2003 tornariam-se peças centrais na estratégia da defesa mais tarde, durante o julgamento no tribunal de Santa Maria.


Esta é a Parte XI da série especial O DOSSIÊ SNEDDON. No próximo artigo, entenda os detalhes da grande operação policial de novembro de 2003 em Neverland e como figuras jurídicas de 1993 reapareceram nos bastidores do novo caso.