XSCAPE: perdoai-me, senhores conservadores, pois eu pequei... | MJ Beats
Imagem ilustrativa de uma pessoa assistindo ao clipe de XSCAPE criado por fãs num local religioso. Criado por IA.

XSCAPE: perdoai-me, senhores conservadores, pois eu pequei…

​Mea culpa, mea maxima culpa. Uma confissão sussurrada nas catedrais do fandom de Michael Jackson. Eu ouso dizer que detesto os meus pecados digitais, mas, diante do altar da burocracia oficial, a heresia se tornou a nossa oração mais honesta.

​Se a inteligência artificial é o fruto proibido, a comunidade de fãs deu uma mordida com gosto ao criar o curta-metragem de XSCAPE. E os “guardiões da moralidade estética”, os puristas do legado, gritam das tribunas: “Blasfêmia! É um falso ídolo! Onde estão os princípios?”.

​A ironia, digna de uma epifania filosófica, é que a IA – o demônio onipresente da nossa era, a máquina que processa e vigia – foi invocada justamente para materializar a liberdade. Um universo cyberpunk denso, sujo e controlador onde Michael escapa do sistema. O fã, o pecador moderno, hackeou a ferramenta de controle para abrir a gaiola que a própria indústria insiste em manter trancada.

​Mas o que nos oferecem os sumos sacerdotes do Espólio para nos manter na linha? Eles nos pedem fé cega e devoção absoluta, enquanto nos servem hóstias mofadas. Lançam músicas falsas com a frieza de um mercador de indulgências. Trancam masters imaculadas em cofres intocáveis e, quando resolvem nos dar uma migalha, entregam um clipe de Human Nature com o áudio pateticamente dessincronizado.

​Se o dogma oficial é aceitar a mediocridade em nome do “respeito ao arquivo”, então prefiro o fogo do purgatório criativo.

​A beleza de cultuar a arte de Michael Jackson nunca foi a submissão cega. É a pluralidade. Não consumimos obras geradas por algoritmos porque o legado precisa “sobreviver”. Michael não é um mártir esquecido precisando de respiração boca a boca. Ele é o Gênesis. A referência absoluta. A régua pela qual o resto do mundo pop é medido. Nós apenas nos recusamos a ajoelhar diante da preguiça corporativa.

​Entre ter alguém ditando o que eu devo reverenciar e ter a independência de escolher minha própria imersão, eu fico com a liberdade. Que atirem a primeira pedra. Nós preferimos pecar assistindo a um XSCAPE pulsante, feito na raça por quem entende o perfeccionismo de Michael, a rezar a cartilha de quem perdeu o ritmo da própria história.

Amém.