Entenda o que pode acontecer de fato com “Michael, o Filme”
Por Isaque Souza, da MJ Culture
A cinebiografia de Michael Jackson, intitulada “Michael”, tem gerado grande expectativa entre fãs e críticos, especialmente com a recente decisão de dividir o filme em duas partes e adiar seu lançamento para 24 de abril de 2026. Ainda assim, parte do fandom não vê a divisão com otimismo – há um receio real de que alongar a narrativa possa dispersar o público ou diminuir o impacto da estreia.
O filme, dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, enfrentou múltiplos adiamentos. Inicialmente programado para 18 de abril de 2025, a data foi alterada para 3 de outubro de 2025 e, mais recentemente, para 24 de abril de 2026. Abril, vale notar, não faz parte da temporada tradicional de premiações – o que indica que a Lionsgate parece mirar mais bilheteria do que prestígio em festivais, uma aposta ousada para um projeto dessa magnitude. Essa nova data reflete uma estratégia de lançamento que inclui dividir o filme em duas partes, uma decisão que visa otimizar o desempenho financeiro e manter o interesse do público.
A divisão em duas partes já havia sido abordada por algumas fontes, como o diretor e crítico de cinema John Campea em abril de 2025, quando ele citou uma fonte próxima à produção, afirmando que o filme seria dividido devido à vasta biblioteca musical, duração longa e projeções de bilheteria superiores a US$ 2 bilhões. A Variety também reportou essa possibilidade em abril de 2025, destacando que a duração inicial de quase quatro horas levou à discussão de lançar o filme em duas partes, uma estratégia que foi posteriormente endossada pela Lionsgate, como mencionado em um artigo do Deadline em 22 de maio de 2025.
A decisão de dividir “Michael” em duas partes parece ser uma jogada estratégica com vários benefícios. Primeiro, permite uma exploração mais detalhada da vida e carreira de Michael Jackson, que abrange desde sua infância com o Jackson 5 até sua morte em 2009, incluindo períodos de sucesso monumental, como o álbum Thriller, e controvérsias, como as falsas acusações de abuso sexual que destruíram sua saúde mental e física. John Campea destacou que essa abordagem é vantajosa porque “eles investiram em um filme e vão lucrar com dois”, essencialmente dobrando as oportunidades de receita. Essa estratégia já foi bem-sucedida em outros projetos, como “Dune: Part One” e “Dune: Part Two”, e mais recentemente com “Wicked”, que também foi dividido para acomodar sua narrativa extensa. Exemplos clássicos como “Kill Bill Vol. 1 e 2”, “Harry Potter e as Relíquias da Morte” e “Jogos Vorazes: A Esperança” mostraram que dividir histórias longas pode funcionar – desde que a primeira parte segure o público e crie expectativa genuína para a segunda.
Além disso, a divisão em duas partes dá aos cineastas mais espaço para cobrir a vasta quantidade de material disponível, incluindo a rica biblioteca musical de Michael, que inclui hits como “Billie Jean”, “Beat It” e “Smooth Criminal” e faixas menos conhecidas como “Earth Song”, “Blood On The Dance Floor” e “History”. Isso pode resultar em uma experiência mais rica para o público, permitindo que cada parte tenha um foco claro, como a ascensão de Michael na primeira parte e sua carreira solo e desafios pessoais na segunda. O desafio será equilibrar espetáculo e intimidade: o filme precisa ir além de um tributo visual e oferecer profundidade emocional que faça jus à complexidade de Michael.
Pesquisas sugerem que o sucesso nas bilheterias é praticamente certo, dado o apelo global de Michael Jackson. O Deadline reportou projeções de uma bilheteria superior a US$ 2 bilhões, impulsionada pela popularidade de Jackson, especialmente em mercados como a China. O crítico John Campea reforçou essa perspectiva, afirmando que, apesar do risco de a primeira parte não ser bem recebida, o legado de Michael Jackson e a qualidade da produção tornam isso improvável. Ainda assim, há um consenso entre fãs de que, se a primeira parte falhar em cativar, a segunda pode sofrer consequências, tornando o marketing e o ritmo narrativo cruciais para manter o hype.
O elenco talentoso, incluindo Colman Domingo como Joe Jackson, Nia Long como Katherine Jackson e Miles Teller como John Branca, também contribui para as expectativas positivas. Jaafar Jackson, interpretando seu tio, traz uma conexão familiar que pode ressoar com os fãs, e sua semelhança física e vocal com Michael foi elogiada por todas as pessoas que o viram nas gravações, sendo descrito como como “chocante” em sua semelhança.
Embora a divisão em duas partes seja vista como positiva, há um risco mencionado por Campea: se a primeira parte não for bem recebida, isso poderia afetar o desempenho da segunda. No entanto, esse risco parece mitigado pelo apelo de Michael Jackson e pela estratégia de marketing que provavelmente será empregada. A Lionsgate, com distribuição doméstica, e a Universal, com distribuição internacional, têm experiência em gerenciar grandes lançamentos, e o suporte do Imax, conforme reportado pelo Deadline, pode aumentar a visibilidade.
Além disso, a controvérsia em torno das falsas acusações de abuso sexual, que o filme precisará abordar, pode polarizar o público. No entanto, a divisão em duas partes pode permitir que os cineastas abordem essas questões de forma mais equilibrada, dedicando espaço adequado para explorar tanto os triunfos quanto as tragédias de Jackson, como mencionado na sinopse oficial reportada pela Variety.
Em resumo, a decisão de dividir a cinebiografia “Michael” em duas partes é uma estratégia promissora que pode render grandes resultados nas bilheteiras, mas traz desafios importantes. A abordagem permite uma narrativa mais rica e detalhada, potencializando os lucros e aumentando o interesse do público. Resta saber se a primeira parte entregará o suficiente para sustentar o fôlego do projeto – e convencer até os fãs mais céticos de que “Michael” será a celebração definitiva do Rei do Pop.



