O álbum Thriller, lançado por Michael Jackson em 1982, é até hoje o disco mais vendido da história. Com mais de 120 milhões de cópias comercializadas, ele não só quebrou recordes como também definiu o padrão máximo de excelência musical no pop. A produção de Quincy Jones reuniu artistas de diversos estilos, gerando um trabalho versátil, poderoso e atemporal.
Mas nem todo mundo que poderia ter participado acabou fazendo parte. Um nome de peso quase integrou o projeto: Freddie Mercury, vocalista do Queen. Pouca gente sabe, mas ele chegou a gravar demos ao lado de Michael Jackson e esteve muito perto de colaborar com o álbum mais icônico da história da música.
Freddie contou essa história anos depois, em entrevistas resgatadas por portais como The Express e Showbiz Cheat Sheet. Segundo ele, os dois trabalharam juntos em algumas faixas, e uma delas tinha grandes chances de entrar em Thriller. “Acho que uma das faixas em que trabalhamos estaria no álbum se eu a terminasse, mas perdi a oportunidade”, revelou o cantor.
Em outro momento, Mercury foi ainda mais direto: “Inicialmente, eu estaria em Thriller. Você consegue imaginar isso? Eu estraguei tudo!”. O
O que deu errado, afinal? Em entrevista à BBC Radio One, Freddie explicou que os dois chegaram a gravar de três a quatro demos juntos. Uma das músicas era State of Shock, que acabou não sendo finalizada por ele. O motivo foi simples, mas decisivo: conflito de agendas. Enquanto Michael estava em Los Angeles, Freddie estava com o Queen, gravando na Alemanha.
“Quando ele quis que eu terminasse a música, eu disse: ‘Não posso, realmente não tenho tempo’. Eu estava trabalhando com o Queen em Munique. Então ele me perguntou: ‘Tudo bem se o Mick Jagger fizer isso?’ E eu respondi: ‘Tudo bem’”, relatou Freddie.
State of Shock acabou sendo gravada por Michael e Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones. A faixa foi lançada em 1984 no álbum Victory, dos Jacksons. Apesar de não estar em Thriller, ela se tornou o maior sucesso do disco, alcançando o 3º lugar na parada norte-americana Billboard Hot 100.
A música também teve bom desempenho internacional, figurando no Top 10 de países como Austrália, Itália, Bélgica e Noruega, além de alcançar a 14ª posição no Reino Unido. Mesmo sem Freddie, a música teve impacto — mas o imaginário do que poderia ter sido ainda intriga fãs até hoje.
Anos depois, uma das colaborações entre Michael Jackson e Freddie Mercury foi oficialmente lançada. A música There Must Be More to Life Than This saiu em 2014 na coletânea Queen Forever. O lançamento foi bem recebido, atingindo o 5º lugar nas paradas britânicas e entrando no Top 10 de outros 11 países europeus.
Embora não tenha feito parte de Thriller, a ligação entre os dois artistas mostra como Michael Jackson estava disposto a romper barreiras e colaborar com músicos de diferentes gêneros e origens. E Freddie, mesmo sem tempo na época, claramente valorizava essa conexão.
A importância de Thriller na história da música vai muito além dos números. O álbum foi responsável por abrir portas para artistas negros em canais como a MTV, que até então resistia em exibir vídeos de cantores não brancos. Foi também a obra que consolidou Michael Jackson como o maior nome da música mundial.
Além disso, Thriller rendeu 8 Grammys e passou 37 semanas no topo da Billboard 200. O impacto cultural e social foi tamanho que Michael foi homenageado na Casa Branca por Ronald Reagan — algo raro para artistas pop.
O que essa história nos mostra é que, mesmo os maiores ícones da música às vezes perdem grandes oportunidades. E que momentos decisivos na história da arte, como a criação de Thriller, têm bastidores cheios de “e se”. Um desses “e se” envolve dois dos maiores gênios da música moderna: Michael Jackson e Freddie Mercury.




