No dia 1º de agosto de 2025, a comentarista americana Candace Owens voltou a falar sobre Michael Jackson no Tucker Carlson Show. Desta vez, ela foi além: disse acreditar que Jordan Chandler, garoto que acusou Jackson de abuso sexual em 1993, foi “drogado pelo próprio pai para dizer que havia sido molestado” pelo cantor. A fala repercutiu entre fãs e críticos, reacendendo um dos capítulos mais polêmicos da vida do artista.
Quem é Candace Owens?
Owens é uma comentarista política conservadora norte‑americana, conhecida por suas opiniões polêmicas e pelo trabalho junto ao movimento Blexit, que incentiva afro‑americanos a deixarem o Partido Democrata. Nos últimos anos, ela tem usado seu podcast e aparições em programas como o de Tucker Carlson para comentar temas culturais e políticos, ganhando espaço como uma das vozes mais influentes da direita nos EUA. Owens já havia defendido Michael Jackson anteriormente, alegando que a mídia “distorceu sua imagem”.
Desta vez, a comentarista afirmou que Evan Chandler, pai de Jordan, teria usado a sedação do filho — durante um procedimento odontológico — para obter a confissão que serviu de base para a acusação:
“Quando eu fui olhar os detalhes, era uma história maluca: um garoto que foi drogado pelo pai para dizer que Michael Jackson havia o violentado. Literalmente drogado pelo pai”, disse a comentarista (Sportskeeda).
O que sabemos sobre 1993
Em 1993, Jordan tinha 13 anos quando começou a visitar o rancho Neverland e ficou próximo de Michael Jackson. Segundo registros da época, a “confissão” de abuso foi obtida pelo pai durante uma consulta odontológica, quando Evan Chandler, que também era dentista, teria sedado o filho com sodium amytal, um barbitúrico de efeito hipnótico e usado para procedimentos médicos.
O contexto é importante: a substância é conhecida por aumentar a sugestionabilidade, o que significa que memórias e respostas podem ser influenciadas por quem faz as perguntas.
Logo após isso, Evan procurou advogados e exigiu US$ 20 milhões de Jackson para não tornar pública a acusação. O cantor recusou. Pouco tempo depois, o caso veio a público, desencadeando investigações que não encontraram provas físicas contra o artista. Em janeiro de 1994, um acordo extrajudicial de cerca de US$ 15 milhões foi firmado, sem admissão de culpa por parte de Jackson — um passo visto por muitos como pragmático, mas que deixou uma sombra sobre sua imagem.
O que Candace Owens está dizendo agora
Owens retomou esse episódio para construir uma narrativa conspiratória mais ampla: segundo ela, as acusações contra Jackson surgiram em meio ao seu embate com a Sony pelo controle de seu catálogo musical. “Ele estava ganhando da Sony e ia consolidar o catálogo dos Beatles. E aí, do nada, escândalo, morte. Até a forma como ele morreu é estranha”, disse.
A comentarista também sugeriu que os pais que acusaram Jackson tinham motivações financeiras, afirmando: “Um foi drogado, e um foi pago”, referindo-se a Jordan Chandler e Gavin Arvizo, o garoto envolvido nas acusações de 2003.
Contexto necessário
Historicamente, as alegações de Owens não são novas — a questão da sedação de Jordan por Evan Chandler é documentada desde os anos 1990, mas nunca houve provas legais de que a intenção fosse induzir uma falsa acusação. Para muitos estudiosos do caso, isso levanta questionamentos sobre como a confissão foi obtida, mas não prova que ela tenha sido fabricada.
O fato é que, 30 anos depois, os casos de 1993 e 2003 continuam cercados de interpretações: alguns veem indícios de extorsão, outros acreditam que houve abuso. Owens, com sua narrativa, reforça a linha de defesa que Jackson manteve até o fim da vida — a de que foi vítima de manipulação, chantagem e interesses poderosos.




