Em 1995, Michael Jackson estava no centro de tudo. No palco, preparava o lançamento de HIStory, um álbum ambicioso que era ao mesmo tempo retrospectiva e manifesto. Nos bastidores, negociava um movimento empresarial que ampliaria seu poder como magnata da música.
Dez anos antes, ele havia surpreendido o mundo comprando a ATV Music, levando junto 251 músicas dos Beatles e milhares de outros sucessos. O catálogo, que já era valioso, havia se tornado uma joia de bilhão. E a Sony queria uma parte.
O casamento perfeito
A proposta era ousada: fundir a ATV de Michael com a divisão de edição musical da Sony, criando uma gigante chamada Sony/ATV Music Publishing. O acordo previa que cada lado ficaria com 50% da nova empresa. Michael receberia cerca de US$ 100–110 milhões em dinheiro, mas manteria metade da propriedade.
O detalhe mais importante? Mijac Music, editora que abrigava as composições do próprio MJ, ficava fora do negócio. Era um recado claro: a fusão era expansão, não entrega total.
Bastidores e estratégia
Para Michael, essa não era apenas uma transação — era uma blindagem. Com a Sony como sócia, o catálogo ficava protegido contra crises e ganhava estrutura global para gerar mais receita. Para a Sony, era o passe de entrada para um dos acervos mais cobiçados do planeta, com a bênção e a imagem do artista mais famoso do mundo.
A fusão foi fechada com discursos polidos e fotos sorridentes. Mas, nos corredores, a mensagem era outra: Michael havia transformado um ativo que comprara sozinho numa parceria com potencial de crescer sem limites.
O império cresce
Nos anos seguintes, a Sony/ATV expandiu agressivamente, adquirindo novos catálogos e reforçando sua posição como uma das maiores editoras musicais do mundo. Michael continuava sendo não apenas o Rei do Pop, mas um sócio de peso numa das operações mais lucrativas da indústria.
Era o auge de um casamento empresarial que parecia perfeito — pelo menos até os anos 2000, quando as alianças começaram a trincar.




