Na noite de 22 de agosto de 1969, no Felt Forum do Madison Square Garden, em Nova York, um grupo de adolescentes de Gary, Indiana, subiu ao palco de um evento que tinha muito mais do que beleza em jogo. O Jackson 5, recém-contratado pela Motown, se apresentou no Miss Black America Pageant, interpretando “It’s Your Thing”, sucesso dos Isley Brothers. Foi a primeira aparição televisiva do grupo — um momento discreto, mas decisivo, no início de sua trajetória rumo ao estrelato.
A importância desse palco
O Miss Black America havia surgido em 1968 como resposta direta ao Miss America, que historicamente excluía mulheres negras. Mais do que um concurso de beleza, o evento simbolizava a força do movimento Black is Beautiful e a busca por representatividade cultural em plena era dos direitos civis. Ao colocar mulheres negras em destaque e dar espaço a artistas emergentes, o concurso se tornou um manifesto estético e político.
É nesse contexto que o Jackson 5 se apresentou: jovens negros, talentosos e prontos para serem “vendidos” ao mundo como um fenômeno pop. A escolha de “It’s Your Thing” não foi casual — era um hino de independência, de afirmação, perfeito para aquela noite.
O impacto da estreia
Embora essa performance não tenha tido a projeção massiva de programas como o Hollywood Palace (outubro de 1969) ou o Ed Sullivan Show (dezembro de 1969), ela marcou a primeira vez em que milhões de pessoas puderam ver, pela televisão, a energia crua de Michael Jackson e seus irmãos. Era a semente plantada. Dois meses depois, “I Want You Back” chegaria às rádios, e o grupo passaria de promessa a fenômeno global.
A aparição no Miss Black America simboliza não apenas o início da jornada televisiva do Jackson 5, mas também a intersecção entre música, cultura negra e afirmação social em um dos anos mais turbulentos da história americana.
E o concurso?
Ao contrário do que muitos pensam, o Miss Black America não desapareceu. Apesar de períodos de hiato, ainda hoje existem edições ocasionais, mantendo vivo o legado iniciado em 1968: questionar padrões de beleza e abrir espaço para novas narrativas.




