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Michael Jackson, Bad e o artista da década

Lançado em 1987, Bad marcou uma nova fase na carreira de Michael Jackson. Depois do impacto gigantesco de Thriller, o álbum mostrou que Michael não estava disposto a viver apenas do sucesso anterior. Ele assumiu cada vez mais espaço como cantor, compositor e produtor, construindo uma identidade própria.

Bad também encerrou uma parceria importante. O disco foi o terceiro e último trabalho de Michael com Quincy Jones, depois de Off the Wall e Thriller.

Na segunda metade dos anos 1980, Michael já havia ultrapassado a condição de estrela musical. Sua presença na televisão, nos videoclipes e nos palcos ajudou a transformar sua imagem em um fenômeno mundial. A própria Bad World Tour, sua primeira turnê solo, percorreu 15 países, teve 123 apresentações e alcançou cerca de 4,4 milhões de espectadores.

Mas havia uma característica que acompanhava Michael: ele raramente explicava ao público como suas músicas eram criadas. Enquanto câmeras registravam sua carreira, grande parte de seu processo criativo permanecia reservado. As ideias, demos e gravações que não chegaram aos discos oficiais ficavam guardadas em seu arquivo pessoal.

A Bad Tour e o encontro com uma multidão de fãs

Foi durante a Bad Tour que Michael teve uma percepção ainda mais clara do tamanho de sua influência. Pela primeira vez, ele estava diante do público mundial como artista solo em uma grande turnê. A resposta foi imediata.

Os fãs não estavam apenas indo aos shows. Eles viajavam entre países, aguardavam horas e acompanhavam cada aparição pública. A turnê começou em 12 de setembro de 1987, no Japão, e terminou em 27 de janeiro de 1989, nos Estados Unidos.

A dimensão daquela relação ajudou a consolidar Michael como um dos maiores ídolos populares do planeta. O impacto era visível nas ruas, nos hotéis, nos aeroportos e, principalmente, nas portas dos estádios.

Foi nesse período que a expressão “Rei do Pop” ganhou força entre seus admiradores e passou a fazer parte da imagem pública de Michael. Mais tarde, o próprio Michael incorporaria esse título à sua identidade profissional.

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A histeria provocada por suas aparições podia ser impressionante. Multidões se reuniam apenas para vê-lo passar, enquanto fãs acompanhavam sua carreira em diferentes partes do mundo.

Michael havia deixado de ser apenas uma estrela da música. Ele havia se transformado em um ícone cultural.

Um novo mundo longe de Hollywood

Em 1988, durante a era da Bad Tour, Michael também começou a construir um espaço completamente diferente daquele universo de hotéis, estádios, câmeras e multidões.

Foi nesse período que ele adquiriu uma enorme propriedade em Santa Ynez Valley, na Califórnia, originalmente conhecida como Sycamore Valley Ranch. O local se tornaria posteriormente famoso como Neverland Ranch. Fontes registram a compra em 1988, durante a Bad Tour.

Ali, Michael criou um ambiente particular, distante da rotina de Hollywood e da exposição constante. A propriedade acabou se tornando muito mais do que uma residência. Era o lugar onde ele poderia construir um mundo próprio e encontrar algum afastamento da pressão que acompanhava sua fama.

Depois de uma década marcada por trabalho intenso, grandes discos e multidões cada vez maiores, Michael tinha chegado a um ponto em que seu sucesso já não podia ser medido apenas pelas vendas.

A era Bad mostrou um Michael Jackson mais independente, mais consciente de seu poder criativo e cada vez mais próximo da imagem que o mundo passaria a reconhecer como o Rei do Pop.