O nome de Michael Jackson, mesmo 16 anos após sua morte, continua no centro de batalhas legais e acusações que se arrastam pelas cortes americanas. A mais recente envolve um depoimento contestado de uma mulher de 84 anos, Marion Goodgame, intimada pela equipe jurídica do astro em um processo movido por Wade Robson e James Safechuck, que alegam ter sido abusados na infância.
O caso reacende velhas feridas e coloca em evidência uma pergunta crucial: até quando a imagem de Michael Jackson será alvo de acusações sem provas definitivas?
A disputa judicial ganhou força quando a defesa de Jackson exigiu que Goodgame testemunhasse. Os advogados alegam que ela poderia esclarecer pontos sensíveis, já que possivelmente detém informações relevantes sobre comunicações, presentes e interações envolvendo o cantor. No entanto, a idosa recusou, afirmando problemas de saúde e fragilidade emocional. Para a equipe do astro, a justificativa foi insuficiente: “não apresentou evidências médicas concretas”, disseram.
A defesa de Robson e Safechuck, por outro lado, classificou a convocação como uma tentativa de intimidação. Segundo eles, submeter uma senhora idosa a horas de depoimento seria desumano e irrelevante. Mas a questão vai além da saúde da testemunha: se a voz de Goodgame for silenciada, perde-se uma peça que poderia ajudar a revelar incoerências nos relatos dos acusadores.
Vale lembrar que os casos contra Michael Jackson sempre carregaram um padrão: acusações sem provas materiais contundentes. Em 2005, o cantor foi absolvido de todas as acusações em um julgamento amplamente televisionado. Jurados, após semanas de depoimentos e análises, concluíram que não havia base sólida para condenação. Apesar disso, anos depois, os mesmos nomes voltam a aparecer em tribunais, em busca de reparações financeiras.
No caso atual, a intimação de Goodgame se mostra estratégica. Se há algo que ela sabe — ou documentos que possui — poderia fragilizar a versão de Robson e Safechuck. Os advogados de Jackson destacaram que doenças como hipertensão e ansiedade, alegadas por ela, não a impediriam de sentar para um depoimento breve. Ou seja, a recusa soa mais como uma manobra do que como uma limitação real.
É importante lembrar também que Robson, um dos acusadores, já havia defendido Jackson publicamente no passado, inclusive em tribunal, afirmando nunca ter sido abusado. Anos depois, mudou sua versão, em um momento em que buscava um novo rumo para a carreira. Esse detalhe não é menor: levanta dúvidas sobre a credibilidade e motivações financeiras que rondam o caso.

A equipe do Rei do Pop insiste que não busca prejudicar a saúde da testemunha, mas garantir o direito de esclarecer a verdade. Ofereceram condições especiais para reduzir qualquer desconforto, mas ainda assim a recusa se manteve. O silêncio, neste contexto, levanta mais suspeitas do que respostas.
Esse embate mostra como a figura de Michael Jackson continua sendo usada como campo de batalha. Mesmo sem estar presente para se defender, o cantor segue exposto a acusações que, ao longo de décadas, nunca se provaram em definitivo. Enquanto isso, sua música e legado permanecem intocados, lembrando ao mundo que a grandeza artística não deve ser confundida com campanhas de difamação.
O mistério em torno do depoimento de Goodgame pode ser apenas mais uma página dessa longa novela. Mas também pode representar uma oportunidade desperdiçada de esclarecer fatos e acabar com especulações. Quando uma testemunha se nega a falar, abre-se espaço para interpretações que podem distorcer a verdade.
Os fãs e defensores de Michael Jackson, espalhados pelo mundo, veem nesses processos uma repetição de injustiças. A vida do artista foi marcada por julgamentos midiáticos, mais do que por provas concretas. E sua morte não encerrou essa perseguição: pelo contrário, manteve seu nome como alvo de disputas judiciais que parecem intermináveis.
O que está em jogo, no fim das contas, é maior do que um processo civil. Trata-se da reputação de um dos maiores artistas do século XX e da busca por justiça em meio a estratégias que muitas vezes parecem mais interessadas em cifras do que na verdade. Michael Jackson merece ser lembrado pelo que realmente foi: um gênio criativo, injustamente reduzido a acusações que nunca se sustentaram.



