Será que a era dos superstars globais acabou de vez? A pergunta ecoa cada vez mais forte na indústria musical. O público, antes unido por um mesmo refrão que tocava em todas as rádios, hoje se divide em milhares de microbolhas digitais. O que antes era universal agora se dissolve em fragmentos.
Segundo o criador Patrick Cc, vivemos o fim do mainstream musical. A lógica mudou. Se na década de 80 ou 90 todo mundo conhecia os mesmos artistas e cantava os mesmos hits, hoje a música se tornou um oceano de opções. E, ao contrário do que parece, a abundância não trouxe união, mas separação.
A música perdeu parte de seu valor percebido. O streaming transformou canções em produtos descartáveis, consumidos em playlists infinitas. Não há mais o peso do vinil, do CD, da fila na loja de discos. O ritual da experiência física desapareceu, e com ele, a noção de pertencimento coletivo.
Outro ponto é a descentralização da mídia. Se antes revistas, rádios e canais de TV ditavam quem seria a próxima estrela, hoje o poder está espalhado por algoritmos e redes sociais. Não existe mais um único caminho para o sucesso. Cada artista depende de sua própria bolha de seguidores para sobreviver.
Isso fez com que o status de ídolo mudasse. Superstars eram vistos como figuras míticas, quase inalcançáveis. Hoje, artistas aparecem de forma banal nos feeds, respondendo comentários, fazendo dancinhas e participando de trends. Eles deixaram de ser divindades da cultura pop para se tornarem pessoas comuns.

O resultado é um mercado pulverizado. Cada nicho tem seus heróis particulares, mas dificilmente veremos de novo um fenômeno com o peso de um Michael Jackson ou Madonna no auge. O impacto agora é localizado, nunca global.
Isso não significa que a música perdeu relevância. Pelo contrário: talvez ela nunca tenha sido tão presente. Mas sua presença é fragmentada, acompanhando os diferentes estilos de vida, gostos e identidades que se espalham pelo mundo. A pergunta é: será que isso é ruim?
Para alguns, o fim do mainstream representa o início de uma era mais democrática, em que todos podem encontrar seu espaço sem depender de um sistema centralizado. Para outros, marca a perda da magia dos ídolos universais, que uniam gerações em torno de um mesmo refrão.
O fato é que vivemos uma transição. Talvez nunca mais vejamos um artista que simbolize o planeta inteiro. Mas isso não precisa ser um lamento. Pode ser apenas o reflexo de uma cultura que não quer mais unanimidade, e sim diversidade. O superstar global pode ter acabado, mas a música, em sua pluralidade, segue mais viva do que nunca.




