O espólio de Michael Jackson liberou mais um curta do período Dangerous, agora com tratamento por inteligência artificial. A escolhida foi “Give In To Me” (1993), gravada em Munique, com Slash na guitarra e uma das performances mais cruas da carreira de Michael. Um registro intenso, direto e sem concessões.
Esse nunca foi um clipe feito para ser bonito. Ele nasceu de suor, fumaça e sombras, com uma tensão constante no ar. Michael canta no limite, quase instintivo, em um ambiente que lembra mais um ritual do que um show tradicional.
O problema surge quando o upscale por IA entra em cena e suaviza demais aquilo que nunca pediu suavidade. Fãs atentos perceberam rostos excessivamente lisos, perda de textura, artefatos digitais e um certo achatamento da imagem. O impacto visual e emocional do original acaba diluído.
Não se trata de rejeição à tecnologia. É uma frustração com o atalho. A IA entrega rapidez, mas nem sempre entrega respeito. Em obras como essa, cada imperfeição faz parte da linguagem.
“Give In To Me” merecia uma restauração real de filme, quadro a quadro, em 4K verdadeiro, preservando grão, contraste e intenção artística. O upscale oferece “limpeza”, mas cobra um preço alto: a identidade visual.
O vídeo continua poderoso. A performance ainda atravessa a tela. Mas fica a pergunta inevitável: até que ponto melhorar a imagem não significa, na prática, enfraquecer a obra?




