Antes do streaming, existiu 'Thriller' em escala industrial | MJ Beats
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Antes do streaming, existiu ‘Thriller’ em escala industrial

Em novembro de 1982, quando Thriller chegou ao mercado, ninguém imaginava que um álbum pudesse exigir uma operação industrial contínua. Na cidade de Carrollton, na Geórgia, a antiga fábrica da CBS Records entrou em um ritmo que ultrapassava qualquer padrão da indústria musical. O que nasceu como mais um lançamento se transformou rapidamente em um fenômeno que mudaria a lógica da produção fonográfica no mundo.

Bob Myers, então vice-presidente da CBS Records e responsável pela planta, relembrou que a fábrica operou sete dias por semana, com três turnos diários, durante oito meses seguidos. Mesmo assim, a produção não conseguia acompanhar a demanda. Segundo ele, desde os primeiros dias ficou claro que não se tratava de um sucesso comum. Era algo que simplesmente não parava de crescer.

Até 1984, cerca de 40 milhões de cópias já haviam sido fabricadas e distribuídas, um número impensável para a época. Desse total, aproximadamente 60% eram discos de vinil LPs e 40% fitas cassete. Os CDs ainda não faziam parte do mercado. A música era física, pesada, empilhada em caixas que saíam da fábrica sem descanso.

Michael Jackson eviou uma carta de agradecimento aos trabalhadores da planta de Carrollton. Embora nunca tenha visitado a fábrica, ele fez questão de reconhecer quem mantinha aquela engrenagem funcionando.

Ao longo de toda a vida útil do álbum naquela unidade, foram fabricadas 68 milhões de cópias de Thriller apenas naquela planta. Estimativas globais apontam vendas superiores a 100 milhões em todo o mundo. A fábrica, considerada a maior do planeta na produção de discos e cassetes, chegou a empregar cerca de 1.500 pessoas. Era uma linha de montagem dedicada ao maior álbum da história.

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No fim dos anos 1980, a CBS Records foi vendida para a Sony Music. Em 2001, a planta de Carrollton foi oficialmente fechada, quando os LPs já eram memória e as fitas cassete perdiam espaço para os CDs. Ainda assim, segundo Myers, até hoje, quando ex-funcionários se reúnem para lembrar daquele período, há um assunto que sempre volta à conversa: o disco de Michael Jackson. Porque algumas obras não passam pela história. Elas a constroem.