O musical “Michael Jackson: Do Garoto ao Ídolo” estreia nos dias 24 e 25 de janeiro de 2026 no Teatro dos Grandes Atores, no Rio de Janeiro. A produção é da Cia SouArte, vinculada ao Grupo Roger Buckley & Cia Sou Arte, e foi idealizada por Roger Buckley, que assina a direção geral do espetáculo. Com performances cantadas ao vivo, acompanhadas por banda completa, a montagem percorre toda a trajetória de Michael Jackson, da infância nos Jackson 5 aos últimos anos de vida, com foco na celebração de seu legado artístico.
O projeto foi desenvolvido ao longo de 2025 e nasce dentro de uma companhia com trajetória consolidada. O grupo de teatro idealizado por Roger Buckley soma quase uma década de atuação, enquanto a Cia SouArte foi idealizada há três anos, reunindo atualmente cerca de 51 artistas distribuídos em diferentes produções. Entre os espetáculos já apresentados pela companhia estão “O Mágico de Oz”, “A Jornada dos Saltimbancos”,” Aladdin – Uma Noite na Arábia” e “A Lenda da Rua Fleet”, adaptação teatral inspirada na história de Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco de Londres.
Para Roger Buckley, a escolha de Michael Jackson como tema não parte de uma lógica nostálgica, mas do reconhecimento de um legado que permanece vivo.
“O Michael Jackson é uma lenda. Ele deixou um legado incrível e tem o mesmo sucesso hoje que ele tinha quando era vivo”, afirma.
A montagem parte da ideia de que o legado de Michael Jackson segue sendo construído por quem mantém sua obra em circulação nos palcos e na memória coletiva.
A proposta do espetáculo é apresentar Michael Jackson como um ícone cultural capaz de atravessar fronteiras. Atentos ao impacto universal do Rei do Pop, a montagem estabelece um diálogo direto com o público brasileiro, apoiada na força popular de sua música, de sua dança e de suas mensagens.
“Falar da história do Michael Jackson sem cantar as músicas do Michael Jackson não tem sentido”, resume Buckley, ao justificar a escolha pelo formato musical.
A narrativa cênica percorre diferentes fases da vida do artista, começando pela infância ao lado da família e dos irmãos, passando pela juventude e pela consolidação da carreira solo, até chegar aos anos finais. A dramaturgia evita centrar o espetáculo em controvérsias e prioriza o impacto artístico e humano de sua obra. O texto e a direção são assinados por Sandro D’França, que divide com Buckley a condução do projeto.
Em cena, Michael Jackson é interpretado por três artistas, cada um responsável por um recorte específico de sua trajetória. Murilo Lopes, de apenas 10 anos, vive Michael na infância e chama atenção pela desenvoltura e espontaneidade. Sobre o aprendizado do passo mais famoso do artista, ele comenta:
“Eu acho o moonwalk um dos passos mais divertidos e também um dos mais difíceis.”
Ao falar de suas músicas preferidas, surpreende pela sensibilidade: “Tenho duas músicas favoritas. Eu amo muito Billie Jean. E também tem uma que eu ouvi em português e fiquei muito triste. É Childhood.”
Na fase jovem, Felipe Conrado interpreta Michael Jackson durante o período de Thriller, momento decisivo de transição artística e expansão global. Ao longo do processo, passou por transformações físicas e emocionais. Durante os ensaios, emagreceu e relata ter vivido, por meio do personagem, uma fase de maturidade que ainda não chegou em sua própria vida, mas que entende como preparação para o futuro. A relação com a obra de Michael Jackson vem de casa: foi apresentado ao artista pelo tio Alexandre, a quem se refere como pai, para quem costuma mostrar suas performances e de quem aceita críticas como um fã atento. Nos bastidores, a equipe da Michael Jackson Culture testemunhou Felipe repassando a coreografia de Thriller com o elenco, assumindo espontaneamente um papel de apoio e troca. O gesto revelou um nível de perfeccionismo e dedicação que ecoa uma das marcas mais icônicas de Michael Jackson. Sobre a exigência das coreografias, ele resume a postura adotada no espetáculo:
“Eu sei que tem algumas coisas difíceis, mas, de qualquer jeito, eu tenho que alcançá-las.”
Já Thiago Bertolami interpreta Michael Jackson a partir do período posterior a Thriller, acompanhando o artista da era Bad até seus últimos dias. Durante a entrevista, escolheu estar com o tradicional chapéu fedora nas mãos, acessório diretamente associado a um de seus momentos favoritos da obra de Michael.
“É o meu xodó de coreografia e de música. Eu amo Smooth Criminal, desde criança, tanto a música quanto a coreografia”, afirma.
Para Thiago, poder interpretar esse trecho específico tem um peso simbólico.
“Interpretar essa música e esse momento da Bad Tour, que foi a primeira vez que os fãs viram Smooth Criminal, para mim é uma honra.”
Fã declarado do artista desde a infância, ele conta que, ao aprofundar-se na trajetória de Michael, passou a enxergá-lo para além do ídolo.
“Quando eu era criança, eu admirava a arte. Depois que cresci, passei a admirar o artista e o homem, a pessoa. Fui ver como dura foi a vida dele, como difícil foi a vida dele”, diz.
Para Thiago, assumir esse papel é também um compromisso com o público:
“A gente sabe que vão ter pessoas que amam o Michael, pessoas que talvez foram curadas de uma depressão por causa da música de Michael. A gente vai estar representando essas pessoas.”
A família Jackson ocupa um lugar central na narrativa, não como pano de fundo, mas como eixo estruturante da trajetória de Michael. Katherine e Joe Jackson são retratados a partir de múltiplas camadas, sem simplificações morais. Jessy Santos, que interpreta a mãe de Michael, afirma que a construção da personagem exigiu um deslocamento pessoal e um olhar atento às contradições afetivas presentes na família.
“A minha construção passa por muitas nuances. A Katherine tem um arco dentro do musical muito lindo. Ela é o alicerce da família Jackson”, destaca.
Esse aprofundamento não ocorreu de forma isolada: segundo os intérpretes, a biografia de Michael Jackson foi estudada coletivamente pelo elenco, como um processo de pesquisa artística compartilhada, que envolveu debates e revisão crítica de informações ao longo dos ensaios. Já Christian Vianna, que vive Joe Jackson, enfatiza o processo de investigação e reflexão necessário para lidar com um personagem historicamente associado à violência.
“O Michael recebeu violência e entregou amor. O pai dele recebeu violência e devolveu violência”, afirma.
A coreografia do espetáculo é assinada por Ryan Mattos, que também integra a montagem em cena. Ele descreve o processo criativo como intenso e atravessado por múltiplas responsabilidades. “Caótico é a primeira palavra que eu uso”, afirma, ao comentar o desafio de conduzir um elenco majoritariamente jovem em coreografias tecnicamente exigentes e carregadas de significado histórico. Ao longo dos ensaios, Ryan relata que sua relação com a obra de Michael Jackson se transformou profundamente.
“Eu virei um fã do Michael aqui”, diz.
Para além da execução técnica, seu trabalho envolveu escuta constante, troca com os intérpretes e abertura para sugestões, criando um ambiente colaborativo em que ideias circulam e são testadas. Sobre Smooth Criminal, um dos momentos centrais da montagem, ele destaca a força estética e simbólica da cena, pensada para transportar o público diretamente à atmosfera dos anos 1980.
A preparação do elenco envolveu uma rotina rigorosa, com ensaios que chegaram a cerca de sete horas diárias. O objetivo, segundo a direção, foi garantir excelência técnica e emocional para entregar ao público carioca um espetáculo à altura da importância do artista retratado.
Antes mesmo da estreia, o musical já desperta interesse de fãs de diferentes regiões do país. A intenção da companhia é levar o espetáculo para outras cidades.
“A ideia é levar Michael Jackson para onde nos chamarem e onde todos os fãs dele estão”, afirma Roger Buckley.
Ao convidar o público para a estreia, o diretor geral resume a aposta da produção.
“Vocês vão sair de lá emocionados, arrepiados, querendo assistir de novo e de novo.”
Para a Cia SouArte, Michael Jackson: Do Garoto ao Ídolo se apresenta como um projeto que pretende circular, crescer e reafirmar o teatro musical como espaço de memória, emoção e reverência ao legado de Michael Jackson.
📍 Teatro dos Grandes Atores – Av. das Américas, 3555 – Barra Square, Rio de Janeiro
📅 24 e 25 de janeiro de 2026




