Não era jornalismo, era distração: Michael Jackson e a cortina de fumaça do poder | MJ Beats
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Não era jornalismo, era distração: Michael Jackson e a cortina de fumaça do poder

O que estamos observando não é apenas a continuidade de uma obsessão antiga. É o efeito tardio de um sistema midiático que já falhou, mas que tentou sobreviver criando distrações. Durante anos, Michael Jackson foi colocado no centro de uma narrativa de escândalo permanente, enquanto outras histórias muito mais graves seguiam fora do foco principal.

Após a divulgação de milhares de arquivos e registros ligados ao caso Jeffrey Epstein, esse padrão passou a exigir uma revisão urgente. O que antes parecia excesso de cobertura hoje se mostra como um mecanismo de desvio, usado para ocupar a atenção pública enquanto estruturas de poder permaneciam protegidas.

A engrenagem do desvio

Entre os nomes citados nos arquivos Epstein está o fundador do TMZ, Harvey Levin, descrito como alguém próximo e potencialmente útil em uma estratégia de relações públicas voltada a defender Epstein e atacar suas vítimas. Não se trata de julgamento judicial, mas de um dado que lança nova luz sobre interesses e alianças dentro da mídia.

É nesse contexto que a perseguição constante do TMZ a Michael Jackson ganha outro significado. Coincidentemente , o portal foi um dos veículos que mais atacaram o Rei do Pop, repetindo acusações, ampliando suspeitas e ignorando absolvições claras da Justiça.

Michael Jackson não apenas sobreviveu à era dos tabloides. Ele expôs os limites desse modelo de imprensa, que confundiu audiência com verdade e impacto com responsabilidade. Mesmo sem condenação, continuou sendo tratado como culpado eterno.

A cortina de fumaça perfeita

A ideia de Michael Jackson como cortina de fumaça deixa de ser retórica quando se observa o padrão histórico. Enquanto ele ocupava manchetes, outros abusadores reais seguiram intocados, protegidos por influência, silêncio e tratamento seletivo da mídia.

A atenção excessiva dedicada a Michael consumiu tempo, recursos e indignação pública. Instituições investigaram o Michael por anos, enquanto crimes comprovados em outros círculos avançavam longe dos holofotes. Isso não é apenas falha editorial, é escolha.

A imagem de Michael como símbolo do mal foi construída pela repetição, não pelos fatos. E essa construção serviu a um propósito claro: manter o público olhando para o lugar errado.

O acerto de contas inevitável

Agora, com documentos vindo à tona e conexões sendo debatidas abertamente, a mídia enfrenta um momento de ajuste. Não se trata de reescrever a história, mas de reconhecer que Michael Jackson foi usado para esconder falhas muito maiores.

O caso Michael Jackson vai além de um artista injustiçado. Ele revela como o jornalismo pode ser instrumentalizado para proteger poderosos e sacrificar reputações quando isso é conveniente.

O legado que permanece é direto e incômodo. Michael Jackson resistiu ao linchamento midiático e, ao fazê-lo, mostrou algo essencial. Quando a verdade começa a pressionar o sistema, não é o artista que desmorona, é a narrativa criada para distrair que perde sustentação.