Enquanto a internet discute a semelhança de Jaafar Jackson no trailer de Michael, um momento silencioso carrega o verdadeiro coração da narrativa. Para o espectador casual, é apenas uma conversa no topo de uma colina. Para nós, é o nascimento da relação mais leal da vida do Rei do Pop.

A cena mostra Michael desabafando sobre o desejo de seguir seu próprio caminho, longe da sombra da família. Quem responde com um “Então faça, Michael” é Bill Bray. Ex-policial de Los Angeles, Bill foi contratado por Joseph Jackson em 1971 com uma missão clara: manter Michael fora de perigo. O que Joseph não previu foi que Bill preencheria o vazio afetivo deixado por sua própria rigidez.
Na autobiografia Moonwalk, Michael é categórico: “Não consigo imaginar a vida sem Bill”. Ele descreve Bill como alguém “caloroso, engraçado e absolutamente apaixonado pela vida”. Para o pequeno Michael, que corria para os braços de Bill ao sair do palco para fugir das multidões, ele era o porto seguro em um mundo caótico.
A profundidade dessa escolha de roteiro arrepia quem conhece as cartas pessoais de Michael. Em 1992, o artista escreveu a Bill: “Joseph nunca teve tempo para mim… obrigado por ser um pai”. Bill Bray foi a figura paterna silenciosa que protegeu Michael não apenas de ameaças físicas, mas da solidão da fama, permanecendo ao seu lado por três décadas, da era Motown até 1996.
Quando Bill faleceu em 2005, Michael – então exilado após o turbilhão do julgamento – ficou devastado. Ver o filme de Antoine Fuqua dar a Bill Bray o peso que ele merece é um sinal de que a produção entendeu quem Michael Jackson realmente era: um homem em busca de conexões reais. Jaafar entrega a performance, mas é a nossa curadoria que diz: prestem atenção nos detalhes. É ali que a mágica acontece.




