They Don’t Care About Us: A HIStória muito além do videoclipe | MJ Beats
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They Don’t Care About Us: A HIStória muito além do videoclipe

O último dia de filmagem do videoclipe da música They Don’t Care About Us começou cercado de tensão e desconfiança. Após uma rápida passagem pelo Rio de Janeiro, Michael Jackson seguiu para a favela Santa Marta, na zona sul da cidade. Críticos apostavam no fracasso e apontavam riscos. Para Michael, falhar não era uma opção, e justamente por isso ele decidiu gravar no lugar que mais provocava debate.

Michael chegou de helicóptero e rapidamente desapareceu entre os becos da comunidade. O pouso aconteceu no campo de futebol, que estava organizado e respeitado por todos. Ninguém cruzou limites, ninguém invadiu o espaço. A ordem estabelecida pela liderança local foi seguida à risca, revelando um controle que contrariava a imagem construída fora dali.

A favela que parou para receber o rei do pop

A segurança era prioridade absoluta. Além das forças oficiais, moradores da própria comunidade foram escolhidos para ajudar a manter tudo sob controle. Houve diálogo, confiança e cooperação. A favela assumiu a responsabilidade de proteger Michael, algo que nasceu do respeito mútuo e não da imposição.

Durante a gravação, decidiu-se que Michael não voltaria de helicóptero. Ele percorreu a comunidade a pé, passando por escadas, lajes e corredores estreitos. Nada foi encenado. O cenário era real, as pessoas eram reais, e a mensagem do clipe ganhava ainda mais força ao ser registrada naquele ambiente.

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Os moradores como co-protagonistas

Não existe a história de They Don’t Care About Us sem as lembranças de quem estava ali. Os moradores da Santa Marta não foram figurantes. Foram co-protagonistas da parte mais verdadeira do vídeo, participando ativamente daquele momento histórico.

Para compreender o impacto dessa visita, foi necessário ouvir quem viveu tudo de perto. Thiago Firmino, nascido e criado na comunidade, transformou sua trajetória em trabalho com turismo de experiência. A presença de Michael Jackson deu visibilidade à Santa Marta, que antes era lembrada quase exclusivamente por notícias negativas.

Memórias que nunca foram embora

Moradores ainda lembram do som do helicóptero, da movimentação diferente e da emoção do dia. Alguns dançaram, outros apenas observaram. Cada pessoa guarda uma lembrança única, como se aquele inverno de 1996 tivesse deixado uma marca permanente.

Ao refazer o caminho de Michael anos depois, percebe-se que muita coisa mudou. Casas de madeira deram lugar a construções mais sólidas, mas as escadas permanecem. Foi por elas que Michael caminhou, com naturalidade, como se conhecesse aquele lugar desde sempre.

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Um legado que vai além da música

Garantir a segurança era essencial em um período marcado por conflitos, mas o clima naquele dia foi de colaboração. A comunidade entendeu a importância do momento e se organizou para que tudo ocorresse sem incidentes. Não era apenas uma gravação, era um acontecimento histórico.

Michael deixou a Santa Marta de carro, não de helicóptero. Um gesto simples, mas simbólico. Ele entrou e saiu como alguém que foi acolhido. O impacto não foi passageiro. Décadas depois, aquele dia continua vivo na memória coletiva, provando que, ali, Michael Jackson fez muito mais do que gravar um clipe. Ele escreveu HIStória.

Para quem deseja aprofundar essa história, ouvir os personagens envolvidos e compreender como arte, política e resistência se cruzam nesse episódio histórico, vale assistir à docussérie Behind the Saturday Sun, de Manuela Bezamat. Mais do que um registro, a obra amplia o olhar sobre o impacto cultural, social e humano por trás de They Don’t Care About Us.